• Rio Branco, 12/09/2026
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Fim do sigilo do Master: documentos revelam festas, contratos milionários e um ‘anjo’ no Banco Central

Documentos da Polícia Federal revelam detalhes das relações de Daniel Vorcaro com autoridades e políticos, além de movimentações financeiras e estratégias atribuídas ao banqueiro

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Fim do sigilo do Master: documentos revelam festas, contratos milionários e um ‘anjo’ no Banco Central Documentos liberados pelo STF ampliaram o acesso às investigações sobre o Banco Master Foto: Divulgação/Polícia Federal/Canva/ND Mais

O Banco Master voltou ao centro das atenções após o STF (Supremo Tribunal Federal) liberar os documentos de investigações da PF (Polícia Federal) sobre Daniel Vorcaro. Os arquivos mostram relações do banqueiro com políticos e autoridades, além de contratos milionários e estratégias usadas para proteger sua imagem.

Primeiramente, o ministro André Mendonça liberou 15 processos. Agora, outros 39 documentos, entre petições e inquéritos ligados ao caso, também foram tornados públicos. Entre as revelações estão investigações envolvendo Flávio Bolsonaro, um repasse de R$ 35 milhões e a atuação de um ex-diretor do Banco Central chamado por Vorcaro de “anjo”.

Banco Master aparece em investigação sobre Flávio Bolsonaro

André Mendonça autorizou uma investigação contra o senador Flávio Bolsonaro por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, que conta sobre a ascensão politica do ex-presidente Jair Bolsonaro, que recebeu recursos de Daniel Vorcaro.

Flávio nega qualquer irregularidade na captação dos recursos. A Polícia Federal também afirma que Eduardo Bolsonaro teria orientado como parte do dinheiro destinado à produção deveria ser utilizado.

Os documentos ainda trazem informações sobre o financiamento do filme Dark HorseFoto: Reprodução/Márcio Gustavo Vasconcelos/Andressa Anholete/Agência SenadoOs documentos ainda trazem informações sobre o financiamento do filme Dark HorseFoto: Reprodução/Márcio Gustavo Vasconcelos/Andressa Anholete/Agência Senado

Filme projetava R$ 230 milhões de receita

Os documentos ainda mostram que os produtores de Dark Horse estimavam arrecadar R$ 230 milhões com o filme, valor equivalente a US$ 45 milhões na cotação apresentada.

PF aponta suspeita envolvendo R$ 35 milhões

Um relatório da PF indica a suspeita de que o ministro Dias Toffoli seria o “beneficiário final” ou “proprietário de fato” do fundo de investimento Arleen, que recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro. Segundo o documento, o dinheiro teria chegado às Ilhas Virgens Britânicas por meio de uma operação com a holding Egide I. Toffoli nega ter recebido valores de Vorcaro e afirma que jamais manteve recursos no exterior.

Contrato de R$ 131 milhões envolvia mulher de Moraes

Os documentos também indicam que o ministro Alexandre de Moraes fez pelo menos duas alterações em um contrato entre o Banco Master e a advogada Viviane Barci, sua mulher. Segundo a PF, o acordo era de R$ 131 milhões e previa sigilo integral, além de pagamentos mensais de pró-labore de R$ 3.646.529,77.

Festas e reputação digital também aparecem

Mensagens encontradas nos celulares de Vorcaro indicam que festas particulares com mulheres, shows e bebidas eram usadas para aproximar o banqueiro de autoridades e empresários. Há registros de eventos em uma embarcação em Angra dos Reis e em uma boate de São Paulo.

Os documentos também mencionam festas organizadas para aproximar Vorcaro de autoridades e empresáriosFoto: Reprodução/ Lula Marques/Agência Brasil/ND MaisOs documentos também mencionam festas organizadas para aproximar Vorcaro de autoridades e empresáriosFoto: Reprodução/ Lula Marques/Agência Brasil/ND Mais

A investigação também aponta uma estrutura voltada à produção de comentários positivos na internet. Segundo a PF, Vorcaro teria determinado publicações favoráveis em notícias sobre a tentativa de venda do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília).

Uma estratégia para controlar a imagem do banco

As investigações também encontraram mensagens que apontam para uma estratégia de Vorcaro para melhorar sua imagem na internet. Segundo a Polícia Federal, o banqueiro tinha uma estrutura organizada para produzir comentários positivos e reduzir críticas.

Entre os arquivos estão informações sobre contratos, movimentações financeiras e contatos de VorcaroFoto: Rovena Rosa/Agência Brasil /ND MaisEntre os arquivos estão informações sobre contratos, movimentações financeiras e contatos de VorcaroFoto: Rovena Rosa/Agência Brasil /ND Mais

Em um dos episódios citados nos documentos, Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, recebeu matérias sobre a tentativa de venda do Banco Master ao BRB. A PF afirma que Vorcaro determinou que fossem feitos vários comentários nas publicações para criar a impressão de que a negociação havia sido bem-sucedida.

Viagem a Dubai também aparece nos documentos

Outro trecho dos documentos envolve Nathana Lopes Figueiredo, que estava com Sicário quando ele foi preso em março. Depois da prisão e da morte dele, ela procurou um delegado da PF para perguntar se poderia viajar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

A PF pediu ao ministro André Mendonça que impedisse a viagem, mas o pedido foi negado. O episódio também passou a fazer parte dos documentos liberados no processo relacionado ao Banco Master.

Vorcaro chamava ex-diretor do BC de “anjo”

Entre as conversas analisadas pela Polícia Federal, uma chamou atenção, ela envolve Sérgio Neves de Souza, que é ex-diretor de Fiscalização do Banco Central. Segundo a investigação, Vorcaro pediu ajuda para tentar barrar uma norma que endurecia regras para investimentos de fundos de previdência privada.

Paulo Sérgio Neves de Souza também é alvo da operação e foi afastado do Banco CentralFoto: Reprodução/ND MaisPaulo Sérgio Neves de Souza também é alvo da operação e foi afastado do Banco CentralFoto: Reprodução/ND Mais

A mudança poderia afetar os planos do Banco Master de vender letras financeiras para regimes de previdência complementar de servidores públicos. Foi nesse contexto que Vorcaro se referiu ao ex-diretor como “um anjo na vida”.

O que o fim do sigilo acrescenta às investigações

A liberação dos documentos amplia o retrato das relações mantidas por Daniel Vorcaro antes do colapso do Banco Master. Além das suspeitas envolvendo políticos e autoridades, os arquivos mostram como o banqueiro buscava influência em diferentes áreas, desde negócios e produção de conteúdo até regras que poderiam afetar os interesses do banco.

Ao todo, 54 processos, petições e inquéritos passaram a ter documentos públicos após as duas liberações determinadas no âmbito do STF.





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