Vorcaro teria bancado viagens de servidores do Banco Central ao exterior, incluindo Paris e Disney
Relatório da Polícia Federal aponta que dois servidores do Banco Central teriam recebido benefícios de Vorcaro durante viagens ao exterior
Paris e Disney aparecem em documentos da investigação sobre o Banco Master Foto: Divulgação/Polícia Federal/ND Mais/Banco Central Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, teria bancado parte das viagens de dois servidores do Banco Central ao exterior, segundo a Polícia Federal. Um deles viajou com a esposa para Paris, enquanto o outro esteve com a família na Disney, nos Estados Unidos.
Relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal apontam diálogos e ações de Vorcaro relacionadas às viagens, incluindo reservas de restaurantes e logística. As defesas, porém, contestam as acusações e afirmam que algumas despesas foram pagas pelos próprios servidores.
Daniel Vorcaro e as viagens dos servidores do Banco Central
Segundo a Polícia Federal, Daniel Vorcaro teria organizado parte da viagem do ex-chefe de Supervisão Bancária do Banco Central Belline Santana e da esposa dele para Paris.
De acordo com as informações da Folha de São Paulo, a investigação afirma que o ex-banqueiro teria tratado diretamente com prestadores de serviços no exterior para organizar reservas de restaurantes, recepção e logística. Segundo a PF, Vorcaro chegou a encaminhar o contato pessoal do servidor para que a programação fosse finalizada.
O restaurante Lapérouse, em Paris, aparece nas mensagens analisadas pela PFFoto: laperouse/ND MaisViagem à Disney também aparece na investigação
A PF também aponta elementos que indicariam o custeio de uma viagem internacional de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, para a Disney com a família. De acordo com a investigação, os indícios foram encontrados em diálogos entre Paulo Sérgio e Vorcaro. Em uma das conversas, o servidor teria enviado ao ex-banqueiro um roteiro de passeios.
A defesa de Paulo Sérgio apresenta outra versão. Segundo os advogados, ele pagou integralmente as passagens, hospedagem, ingressos, compra de moeda estrangeira e despesas feitas com cartões durante a viagem.
Os advogados afirmaram ainda que a viagem estava planejada para as férias escolares de janeiro e fevereiro de 2024. Segundo a defesa, Vorcaro soube da programação durante o agendamento de uma reunião entre o Banco Central e uma instituição supervisionada. Ainda de acordo com os advogados, no dia do embarque, Vorcaro ofereceu a Paulo Sérgio uma vaga remanescente em um pacote de acesso prioritário aos parques da Disney e da Universal.
Ainda segundo a Folha de São Paulo, Paulo Sérgio teria aceitado a oferta após pagar US$ 8 mil em espécie, aproximadamente R$ 40.809,60 na cotação atual, nos Estados Unidos, a uma pessoa indicada por Vorcaro.
A defesa também afirmou que o servidor desconhecia um eventual pagamento de US$ 38 mil feito por Vorcaro ao agente de viagens Leonardo Giunchetti. Segundo os advogados, Paulo Sérgio não participou, autorizou ou presenciou essa transação.
O que a PF diz sobre Daniel Vorcaro e os servidores
A PF afirma ter identificado atuação dos servidores em interesses privados ligados ao MasterFoto: Divulgação/Polícia Federal/ND MaisAlém das viagens, a Polícia Federal afirma que os dois servidores teriam atuado de forma recorrente na defesa de interesses privados de Vorcaro e do Banco Master.
Segundo o relatório, eles teriam oferecido orientação técnica, revisado documentos destinados ao próprio Banco Central, repassado possíveis informações internas e participado de reuniões extraoficiais relacionadas aos interesses do conglomerado Master.
A PF também afirma que Belline Santana receberia R$ 500 mil por mês do Banco Master. Documentos anexados ao processo mostram, segundo a investigação, comprovantes de repasses que somam R$ 3,8 milhões.
A polícia sustenta que os pagamentos tinham como objetivo favorecer o Banco Master. O servidor e os responsáveis pelos repasses, porém, afirmaram que os recursos estavam relacionados a um programa de treinamento financeiro para jovens.
A defesa de Belline também negou que Vorcaro tivesse exercido influência sobre o servidor. Em manifestação anterior à Folha, o advogado Leonardo Palazzi afirmou que Belline atuou dentro de suas funções e tomou as providências necessárias diante de possíveis ilícitos envolvendo o Banco Master.



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