Taxa das blusinhas: por que Lula recuou e decidiu zerar o imposto que ele mesmo sancionou?
Após pressão popular e queda na aprovação, gestão Lula recua de imposto polêmico e oficializa isenção federal para compras em sites como Shein e AliExpress
O governo Lula avaliou que o imposto era impopular; veja por que Lula sancionou e revogou imposto da taxa das blusinhas para conter o desgaste de imagem na gestão Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil O presidente Lula (PT) anunciou nesta terça-feira (12), em Brasília, o fim da chamada “taxa das blusinhas”, zerando o imposto federal de importação sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas por pessoas físicas em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.
A cobrança é a mesma que ele próprio havia sancionado em 2024 dentro do programa Remessa Conforme. A medida foi oficializada por meio de medida provisória publicada em edição extra do DOU (Diário Oficial da União) e entra em vigor nesta quarta-feira (13).
A decisão foi tomada após desgaste político, pressão popular e críticas ao impacto da taxação no consumo das classes mais baixas. Entenda melhor abaixo.
Como ficam as compras internacionais após o fim da taxa
Com a mudança, encomendas internacionais de até US$ 50 deixam de pagar o imposto federal de importação de 20%, criado em 2024 dentro do programa Remessa Conforme.
Na prática, os consumidores continuarão pagando apenas o ICMS estadual, atualmente fixado em 17% para esse tipo de operação.
Compras internacionais de até US$ 50 voltam a ter alíquota zero de imposto de importação federal a partir desta quarta-feira (13)Foto: Divulgação/Canva/ND MaisJá as compras acima de US$ 50 seguem tributadas com imposto de importação de 60%, regra que permanece inalterada.
A isenção vale apenas para pessoas físicas e para compras realizadas em plataformas regularizadas junto à Receita Federal.
Por que Lula decidiu acabar com a “taxa das blusinhas”
A revogação vinha sendo discutida há meses dentro do Palácio do Planalto. Segundo a CNN, integrantes da ala política do governo avaliavam que a cobrança se tornou um dos principais pontos de desgaste da gestão Lula junto à população.
Pesquisas internas e levantamentos públicos reforçaram a percepção de impopularidade da medida. Em março deste ano, a pesquisa Latam Pulse Brasil, realizada pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, mostrou que 62% dos brasileiros consideravam a taxação o maior erro do governo Lula até então.
De olho no poder de compra das classes C, D e E, saiba por que Lula sancionou e revogou imposto da taxa das blusinhas, oficializando a isenção via Medida ProvisóriaFoto: Ricardo Stuckert/PR/Reprodução/ND MaisA cobrança afetava principalmente consumidores de renda média e baixa, que recorrem a plataformas internacionais para comprar roupas, acessórios, eletrônicos e itens domésticos mais baratos.
Dentro do governo, porém, havia resistência da equipe econômica e de setores ligados à indústria nacional. O argumento era de que o fim da tributação poderia reduzir arrecadação e ampliar a concorrência dos produtos importados sobre fabricantes brasileiros.
O que é o programa Remessa Conforme
O Remessa Conforme foi criado em 2023 pela Receita Federal para regulamentar compras internacionais em sites estrangeiros e combater irregularidades no comércio eletrônico.
Inicialmente, compras de pequeno valor eram isentas do imposto federal, desde que as plataformas aderissem ao programa e recolhessem os tributos estaduais.
O imposto federal de 20% havia sido implementado em 2024 dentro das diretrizes do Remessa Conforme, programa criado para regularizar o comércio eletrônico internacional no BrasilFoto: Divulgação/Adobe Stock/NDA mudança ocorreu em agosto de 2024, quando passou a valer a cobrança de 20% sobre encomendas de até US$ 50 e de 60% para produtos entre US$ 50,01 e US$ 3 mil.
Na época, o governo defendia que a medida buscava equilibrar a concorrência com o varejo nacional e reduzir fraudes fiscais.
Governo diz que combate ao contrabando permitiu isenção
Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que o governo conseguiu zerar o imposto após avanços no combate ao contrabando e maior controle das operações internacionais.
Segundo Ceron, a regularização das plataformas digitais e o fortalecimento da fiscalização permitiram rever a necessidade da cobrança federal.
Participaram do anúncio, além do presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, a primeira-dama Janja e ministros da área política e econômica do governo.
Lula sancionou e revogou imposto da taxa das blusinhas: indústria critica decisão
O fim da “taxa das blusinhas” provocou reação de entidades da indústria e do varejo nacional.
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) afirmou que a medida cria uma vantagem para fabricantes estrangeiros e pode afetar principalmente micro e pequenas empresas brasileiras.
O IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) também criticou a decisão e disse que o varejo nacional pode perder competitividade diante dos produtos importados.
Entidades como CNI e IDV alertam que a isenção para importados pode prejudicar a competitividade e o emprego no varejo nacionalFoto: Joédson Alves/Agência Brasil/NDSegundo o instituto, após a criação da tributação em 2024, o setor registrou abertura de 107 mil empregos, além de aumento de investimentos e produtividade.
A Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) classificou a revogação como “extremamente equivocada” e afirmou que empresas brasileiras continuarão enfrentando uma carga tributária muito maior do que concorrentes estrangeiros.
Dados da Receita Federal apontam que o imposto arrecadou R$ 1,78 bilhão entre janeiro e abril de 2026, valor 25% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
A Abvtex (Associação Brasileira do Varejo Têxtil) disse que o fim da cobrança representa um “grave retrocesso econômico” e pode provocar fechamento de empresas e perda de empregos no setor.
Plataformas internacionais comemoram fim da cobrança
Do outro lado, empresas e plataformas de comércio eletrônico apoiaram a decisão do governo.
A Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia), que reúne companhias como Amazon, Alibaba, Shein e 99, afirmou que a taxação era “extremamente regressiva” e prejudicava principalmente consumidores das classes C, D e E.
Segundo a entidade, o imposto reduzia o poder de compra da população e não conseguiu aumentar a competitividade da indústria nacional como prometido pelo governo quando a cobrança foi criada.




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