Publicidade
  • Rio Branco, 26/09/2026
  • A +
  • A -

Saiba como funcionará compra de dívidas pela União

agenciabrasil.ebc.com.br
Saiba como funcionará compra de dívidas pela União


Logo Agência Brasil

Criada nessa sexta-feira (25) por medida provisória, a terceira fase do programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas, chamada de Desenrola 3.0, traz mudança importante em relação às etapas anteriores.

A União poderá comprar em leilões, carteiras de dívidas inadimplidas e repassar integralmente ao devedor o desconto obtido na operação. Nas fases anteriores, os débitos eram negociados diretamente entre credores e devedores.



Notícias relacionadas:

A expectativa do governo é que até R$ 150 bilhões em dívidas sejam elegíveis ao programa, com potencial para beneficiar até 15 milhões de pessoas.

Como funcionará?



A nova fase será voltada a dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil, considerando o valor original da dívida.



Para participar da operação, os débitos deverão estar em atraso de 720 dias a 1.645 dias, contados a partir de 25 de setembro de 2026.



Na prática, o processo será dividido em etapas:



1. A União realizará leilões para comprar as carteiras de dívidas.



2. Os credores apresentarão propostas de desconto.



3. As propostas serão classificadas pelo maior deságio oferecido.



4. O desconto obtido pela União será repassado integralmente ao devedor.



5. O consumidor poderá quitar o saldo à vista ou parcelá-lo.



6. No caso de parcelamento, as condições ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).



Quem poderá participar?



A MP estabelece como critérios principais:



•    Dívidas de até R$ 10 mil, pelo valor original;



•    Inadimplência superior a 720 dias;



•    Inadimplência inferior a 1.645 dias;



•    Dívidas bancárias e não bancárias.



O Ministério da Fazenda poderá estabelecer critérios adicionais de renda e de priorização dos devedores.



Os leilões poderão ocorrer em lotes e separar as dívidas de acordo com sua natureza, entre bancárias e não bancárias.



Quanto será o desconto?



O deságio mínimo exigido nos leilões será de 90%, com o desconto obtido na compra sendo integralmente transferido ao devedor.



Assim, se uma dívida elegível de R$ 10 mil for adquirida pela União com o desconto mínimo previsto, o valor considerado para a renegociação será de R$ 1 mil.



O consumidor poderá:



•    pagar o saldo de uma vez, mantendo o desconto;



•    ou parcelar o valor restante, acrescido de juros, conforme as regras que ainda serão estabelecidas pelo CMN.



Quanto será investido?



A estimativa do governo é que até R$ 150 bilhões em dívidas possam ser elegíveis à compra.



A previsão considera apenas uma parcela do estoque de R$ 592 bilhões em dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito em agosto de 2026.



O governo estima:



•    até R$ 75 bilhões em dívidas efetivamente renegociadas;



•    até 15 milhões de pessoas beneficiadas;



•    custo máximo de R$ 15 bilhões para a aquisição das carteiras pela União.



Os recursos deverão ser previstos nos Projetos de Lei Orçamentária Anual (PLOAs) de 2027 e 2028.



Quando começa?



A implementação do programa seguirá cronograma previsto na MP:



•    Setembro de 2026: publicação da medida provisória;



•    Novembro de 2026: publicação do chamamento para apresentação das propostas;



•    Dezembro de 2026: credores entregam as propostas;



•    Janeiro de 2027: homologação das propostas selecionadas;



•    Fevereiro de 2027: assinatura dos contratos e início do repasse dos descontos aos devedores.



A partir de fevereiro de 2027 está previsto o início da quitação à vista ou do parcelamento dos valores pelos consumidores.



Tamanho da inadimplência



Dados do Tesouro Nacional citados pelo governo mostram a dimensão do problema.



Em agosto de 2026, havia R$ 592 bilhões em dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito, considerando débitos com até cinco anos de atraso.



O levantamento aponta ainda:



•    83,9 milhões de pessoas negativadas;



•    média de quatro dívidas por pessoa;



•    valor médio de R$ 7 mil por pessoa;



•    média de R$ 1,7 mil por dívida;



•    56% dos negativados eram mulheres;



•    cerca de 55% do estoque correspondia a dívidas não bancárias.



Entre as dívidas não bancárias estão débitos com empresas de água, energia, telefonia e varejo.



O que mudou?



Nas duas primeiras fases do programa, a renegociação dependia da negociação entre consumidores e credores.



Na terceira etapa, a lógica muda: o governo passa a atuar diretamente na compra das carteiras de dívidas.



O desconto obtido nos leilões será transferido ao consumidor, que poderá escolher entre quitar o saldo de uma vez ou parcelar o valor restante.



Fases anteriores



Nas duas primeiras fases, o Desenrola alcançou cerca de 25 milhões de pessoas.



A primeira fase foi voltada a dívidas bancárias e não bancárias negativadas desde 2019:



•    Mais de 8 milhões de operações de renegociação;



•    R$ 53 bilhões em dívidas renegociadas;



•    15 milhões de pessoas e famílias atendidas.



A segunda fase foi destinada a dívidas bancárias com inadimplência de 90 dias a dois anos:



•    Mais de 5,5 milhões de operações;



•    R$ 22 bilhões em dívidas renegociadas;



•    10 milhões de pessoas e famílias atendidas.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.