Denunciante muda versões sobre acusação de estupro contra vice de Flávio Bolsonaro
Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, é alvo de acusação de estupro de vulnerável; denunciante apresentou versões diferentes sobre o caso.
Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, é alvo de acusação de estupro de vulnerável; denunciante apresentou versões diferentes sobre o caso. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado/ND Mais O homem apontado como responsável por levar ao conhecimento de parlamentares a acusação de estupro de vulnerável contra Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), apresentou versões diferentes sobre o caso nos últimos meses, segundo informações publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo.
Luiz Antônio Lopes procurou o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) durante a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social ). Na ocasião, afirmou que Gaspar teria estuprado e engravidado uma adolescente e disse possuir provas e contatos da suposta vítima.
A acusação foi encaminhada à Polícia Federal em março. Posteriormente, Luiz Antônio procurou o gabinete de Gaspar e, em depoimento à Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados, apresentou uma versão diferente.
Segundo o relato, uma mulher teria sido contratada para sustentar a acusação contra o deputado e o episódio seria parte de uma suposta armação atribuída a Lindbergh.
O depoimento foi encaminhado ao STF (Supremo Tribunal Federal) em maio, de acordo com a Câmara dos Deputados. Como Lindbergh possui foro especial, o caso foi enviado à Corte.
Versões diferentes do relato contra o vice de Flávio Bolsonaro
Ainda conforme a Folha de S.Paulo, Luiz Antônio voltou a mudar o relato em conversas recentes com a imprensa.
Na semana passada, retomou a acusação contra Gaspar, mas não apresentou as provas que afirmou possuir. Depois, nesta terça-feira (11), voltou a dizer que teria ocorrido uma armação contra o candidato a vice de Flávio Bolsonaro.
No depoimento à Polícia Legislativa, Luiz Antônio afirmou que uma mulher teria sido paga para dizer a uma jornalista que havia sido estuprada por Gaspar aos 13 anos. Segundo a versão apresentada à época, a suposta violência teria resultado no nascimento de uma criança, hoje com oito anos.
Ele também afirmou ter contratado a mulher em um quiosque que mantinha em um shopping no Rio de Janeiro e acusou pessoas ligadas a Lindbergh de financiar a suposta farsa para prejudicar Gaspar.
À Folha, entretanto, Luiz Antônio voltou a sustentar a acusação contra Gaspar e afirmou manter contato com a suposta vítima. Segundo a reportagem, ele não apresentou evidências que comprovassem o crime ou a existência das pessoas citadas no relato.
O caso também chegou ao Supremo após a Polícia Federal pedir, em abril, a abertura de investigação sobre a acusação de estupro de vulnerável. O ministro Gilmar Mendes, relator do caso, solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá decidir sobre o pedido da corporação.
Gaspar diz que Lindbergh e Soraya serão responsabilizados por acusações contra ele
Gaspar diz que vai responsabilizar Lindbergh e Soraya pelo casoFoto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Divulgação/Senado/Reprodução/ND MaisApós ser anunciado como candidato a vice de Flávio Bolsonaro, Gaspar pediu à PGR e ao STF que acelerassem a realização de um exame de DNA que, segundo ele, comprovaria que a acusação é falsa.
O deputado também afirmou que pretende responsabilizar Lindbergh e Soraya por crimes como calúnia, denunciação caluniosa, injúria e coação no curso do processo.
Em nota divulgada nesta terça-feira (11), a campanha de Flávio Bolsonaro voltou a negar a acusação e afirmou que o episódio seria uma tentativa de atingir Gaspar por sua atuação na CPMI do INSS. Durante os trabalhos da comissão, o deputado pediu o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A senadora Soraya Thronicke não comentou o caso. A assessoria informou à Folha que o processo tramita em segredo de Justiça e que os esclarecimentos estão sendo prestados às autoridades.
Lindbergh, por sua vez, apresentou à reportagem vídeos antigos em que Luiz Antônio faz acusações contra ele. Em uma das gravações, o homem afirma que o deputado teria participado como um dos mandantes da facada contra Jair Bolsonaro em 2018, acusação que não corresponde aos fatos.
A Câmara dos Deputados informou que o boletim de ocorrência foi registrado a pedido de Gaspar e que, após a citação de uma pessoa com prerrogativa de foro, o caso foi encaminhado ao STF em maio. Desde então, segundo a Casa, não foram realizadas novas diligências.



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