Flávio Bolsonaro ataca urnas eletrônicas, cita empresa venezuelana e TSE resgata nota de 2022 para desmentir as acusações
O parlamentar afirmou que a empresa Smartmatic, responsável pelo fornecimento de sistemas de votação à Venezuela, também teria atuado nas eleições brasileiras
Flávio Bolsonaro faz ataque às urnas eletrônicas Foto: Redes Sociais/Reprodução/ND Mais; TRE-MT/ND Mais O senador e pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, fez declarações sobre as urnas eletrônicas nesta terça-feira (21), durante um evento com diplomatas estrangeiros em Brasília. A manifestação ocorreu no Debating Brazil, promovido pela Novo Selo Comunicação e pelo The Brazilian Report.
Na ocasião, o parlamentar citou documentos da CIA divulgados recentemente pelo governo dos Estados Unidos, segundo informou o Metrópoles.
Conforme consta nos arquivos, o principal serviço de inteligência civil norte-americano afirma que os governos venezuelanos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro teriam “alguma capacidade de manipular sistemas eletrônicos de votação” fornecidos pela empresa Smartmatic para uso no país.
TSE afirma que Smartmatic nunca forneceu urnas ao Brasil
Apesar da declaração do senador, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mantém uma nota oficial, publicada originalmente em 2022 e recentemente republicada, esclarecendo que a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas nem softwares utilizados nas eleições brasileiras.
Segundo a instância jurídica máxima, a empresa “tampouco trabalhou na programação desses aparelhos”.
O TSE também informa que a Smartmatic chegou a participar da licitação para a fabricação das urnas eletrônicas utilizadas nas eleições de 2020, mas foi derrotada pela Positivo. Em outras ocasiões, a companhia firmou contratos com a Justiça Eleitoral apenas para prestação de serviços de conexão de dados e voz.
Flávio diz que não questiona as urnas eletrônicas
Durante o encontro com diplomatas, Flávio Bolsonaro afirmou que sua fala não representava um questionamento à segurança do processo eleitoral brasileiro.
“Eu não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade possível de observadores para as eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia”, disse.
Caso relembra reunião que tornou Jair Bolsonaro inelegível
O encontro ocorreu exatamente quatro anos após a reunião promovida pelo então presidente Jair Bolsonaro com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada.
Durante o evento de 2022, Bolsonaro, então candidato à reeleição, fez declarações falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro. No ano seguinte, o Tribunal Superior Eleitoral o condenou por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, tornando-o inelegível por oito anos, até 2030.
Segundo a Folha de S.Paulo, o ministro Nunes Marques optou por não responder diretamente às declarações recentes de Flávio Bolsonaro.
Ele, contudo, autorizou a divulgação do comunicado emitido pelo TSE à data. No texto, o tribunal afirma:
“Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país.
As urnas brasileiras foram projetadas por servidores e técnicos a serviço da Justiça Eleitoral e são produzidas, sob a sua direta coordenação, por empresas selecionadas mediante licitações públicas e de ampla concorrência, o que garante ainda mais segurança e transparência ao processo eleitoral.
O sistema eletrônico de votação do país utiliza meios próprios e criptografados de comunicação e transmissão de dados, não tendo nenhum contato com redes públicas, como a internet. Em mais de 20 anos de trajetória, o sistema foi reiteradamente testado e comprovadamente isento de quaisquer formas de manipulação, de fraude na totalização de votos ou de quebra do sigilo do voto.”
Campanha de Flávio Bolsonaro rebate interpretações
Em nota enviada à BBC Brasil, a equipe de campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que ele não colocou em dúvida a integridade das urnas eletrônicas brasileiras.
“Em sua fala, que é brevíssima neste ponto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma expressamente que ‘não está questionando o sistema de votação brasileiro’ e exorta os diplomatas ali presentes a mandarem o maior número possível de representantes em missões de observação internacional”, diz a nota.
O comunicado acrescenta: “Afastada qualquer descontextualização das falas do pré-candidato, sua equipe de pré-campanha reafirma sua integral confiança no sistema eleitoral brasileiro e sua crença irrestrita de que as missões de observação internacional devem ser fortemente estimuladas”.
Tais missões “contribuem para o aperfeiçoamento do processo eleitoral, ampliando a transparência, a integridade e a confiança pública nas eleições”, diz a equipe.



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