Inglaterra e Argentina: mistura de rivalidade, bom futebol e história
Passados 40 anos, o destino redesenhou, durante uma edição de Copa do Mundo, um novo confronto entre as seleções da Inglaterra e da Argentina. Nesta quarta-feira (15), no Estádio de Atlanta, nos EUA, os dois países voltam a ficar frente a frente, e o vencedor garante uma das vagas na decisão do Mundial.
Há 40 anos, o duelo pelas quartas de final da Copa do México de 1986 terminou com uma vitória polêmica dos argentinos por 2 a 1. Essa data eu jamais esquecerei, não somente pelo fato de ela registrar o meu 16º aniversário (22 de junho de 1986), mas por ter podido assistir, ao vivo, via transmissão em canal aberto (TV Globo), a um dos lances mais geniais da história das Copas do Mundo, proporcionado pelo lendário Diego Maradona.
Porém, antes desse lance plástico do meia argentino, o “pibe” ainda protagonizou um dos momentos mais controversos da história do torneio: um gol de mão diante do goleiro inglês Peter Shilton, detalhe que passou despercebido pelo árbitro tunisiano Ali Bin Nasser na vitória do selecionado sul-americano. Os ingleses reclamam do lance até hoje, engasgado em suas gargantas, na busca por dar o troco. O momento pode estar chegando, mas o jejum inglês também pode se eternizar por mais alguns anos ou décadas.
No entanto, a esperteza e o “antijogo” praticados naquele clássico pelo meia argentino foram ofuscados apenas quatro minutos depois, quando o próprio camisa 10 partiu do meio de campo, driblou cinco jogadores ingleses (Hoddle, Reid, Butcher, Fenwick e o goleiro Shilton) e marcou um dos gols mais bonitos da história dos Mundiais.
Nos minutos finais, os ingleses diminuíram a vantagem argentina com Gary Lineker. O empate quase veio no apagar das luzes, mas os deuses do futebol impediram que o grande dia de Maradona fosse ofuscado, em um lance no qual o defensor argentino Julio Olarticoechea se jogou para trás e evitou a cabeçada de Gary Lineker.
Com a classificação assegurada às semifinais, o astro Diego Maradona, minutos após o jogo, dedicou a vitória sobre a Inglaterra aos jovens soldados argentinos mortos na Guerra das Malvinas. O craque declarou que o triunfo foi uma forma de vingança e alívio para o país após a dolorosa derrota militar ocorrida quatro anos antes.
Restando poucos dias para o novo confronto em campo — este de futebol, não uma batalha com fuzis e canhões —, a FIFA, preocupada com possíveis atos de violência ou manifestações entre as torcidas, proibiu nas arquibancadas do Estádio de Atlanta faixas ou adereços semelhantes que façam alusão à Guerra das Malvinas.
Se há 40 anos o capitão e craque argentino era Diego Maradona, eleito o Bola de Ouro da Copa do México, hoje essa responsabilidade fica nas costas de seu compatriota Lionel Messi, artilheiro do Mundial juntamente com o francês Mbappé, ambos com 8 gols. Por outro lado, se a seleção inglesa, chamada de “The Three Lions” (Os Três Leões), apostava suas fichas no artilheiro Gary Lineker na Copa de 1986, hoje essa aposta pesa sobre os atacantes Harry Kane e Jude Bellingham, ambos com 6 gols no Mundial. Portanto, que tenhamos um grande jogo, cheio de gols e lances plásticos, e não uma “batalha”, frequentemente ocasionada por divergências e indiferenças.



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