• Rio Branco, 04/06/2026
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Memórias das Copas – 7º Capítulo

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Memórias das Copas – 7º Capítulo

O 6º capítulo da coluna “Memórias da Copa” trouxe aos leitores a história da conquista do tricampeonato mundial por parte da Seleção Brasileira em 1970. O texto abordou ainda o surgimento do “Carrossel Holandês”, seleção vice-campeã da Copa de 1974 após a derrota para a pragmática Alemanha do “Kaiser” Franz Beckenbauer.


Neste 7º capítulo, será a vez de contarmos a história de outras duas Copas: a da Argentina, em 1978 (com o Brasil como “campeão moral”, sem perder sequer uma partida), e a da Espanha, em 1982 (a tragédia do Sarriá).


Kempes brilha e Argentina conquista a Copa de 1978


O atacante argentino Mário Kempes foi o artilheiro da Copa do Mundo de 1978, com 7 gols.

A Copa do Mundo FIFA de 1978 contou com a participação de 16 países. O campeonato ocorreu na Argentina, que conquistou seu primeiro título. Ao todo, 107 nações participaram das eliminatórias.


Na época, houve rumores de que a ditadura militar argentina desejava o título a todo custo, o que, segundo relatos, explicaria boa parte dos episódios estranhos ocorridos durante a Copa — inclusive a vitória elástica sobre os peruanos, que ficou sob forte suspeita.


A comemoração da imensa torcida argentina pela vitória de 6 a 0 sobre o Peru serviu temporariamente para abafar os protestos das Mães da Praça de Maio. Elas buscavam informações sobre seus filhos desaparecidos e já haviam realizado várias manifestações contra o governo militar do país.


Na fase de grupos, a Itália vence a anfitriã Argentina por 1 a 0


No grupo da Argentina, a Itália roubou a cena e venceu seus três jogos da primeira fase, superando inclusive os donos da casa por 1 a 0. A Argentina venceu a Hungria e a França (ambas por 2 a 1) e ficou com a segunda vaga.


O Brasil tinha um time que incluía Zico e Roberto Rivellino. Empatou com a Suécia no primeiro jogo por 1 a 1 e, no segundo, com a Espanha por 0 a 0. A classificação só veio ao vencer a Áustria no terceiro jogo por 1 a 0.


Os Países Baixos (Holanda) tiveram dificuldades para se classificar. Johan Cruyff, a grande estrela do time, recusou-se a participar do torneio devido a problemas familiares. Ainda assim, o país venceu o Irã por 3 a 0, empatou com o Peru em 0 a 0 e perdeu para a Escócia por 3 a 2.


O Peru foi a grande sensação do grupo: venceu a Escócia por 3 a 1 e goleou o Irã por 4 a 1.


A Alemanha Ocidental e a Polônia dividiram as vagas de seu grupo sem maiores dificuldades. Neste grupo, a Tunísia fez história ao conquistar a primeira vitória de uma seleção africana em Copas, aplicando 3 a 1 no México. Outro grande resultado da seleção africana foi o empate em 0 a 0 com a Alemanha Ocidental.


Contra a Suécia, juiz prejudica o Brasil e anula gol de Zico


O meia brasileiro Zico subiu de cabeça, e marcou o que seria a vitória brasileira

Na partida entre Brasil e Suécia na primeira fase, o jogo estava empatado em 1 a 1 até os acréscimos do segundo tempo, quando houve um escanteio a favor do Brasil. Quando a bola foi cobrada, o meia brasileiro Zico subiu de cabeça e marcou o gol que daria a vitória brasileira.


BRASIL – 1978. Em pé, da esquerda para a direita: Nelinho, Leão, Oscar, Amaral, Batista e Toninho. Agachados: Gil, Zico, Roberto Dinamite, Dirceu e Toninho Cerezo.

Estranhamente, o árbitro galês Clive Thomas encerrou o jogo com a bola no ar, gerando desespero no time brasileiro. A delegação do Brasil entrou com duas representações contra o juiz na Comissão de Arbitragem e no Comitê Disciplinar da FIFA. O árbitro foi afastado e nunca mais apitou uma partida de Copa do Mundo.


Copa da Argentina de 1978 teve jogaço: Escócia 3 x 2 Holanda


A Escócia venceu a Holanda, mas perdeu a vaga no saldo de gols.

O futebol britânico vivia grande fase, com o Liverpool campeão inglês e bicampeão europeu em 1977, e o Nottingham Forest sendo campeão inglês naquele ano de 1978 (e europeu nos dois anos seguintes). Na Copa, a Escócia perdeu para o Peru por 3 a 1, empatou em 1 a 1 com o Irã e venceu a Holanda por 3 a 2, em um dos maiores jogos da história dos mundiais. Nessa partida, o jogador Rob Rensenbrink, da seleção neerlandesa, marcou o milésimo gol da história das Copas ao converter um pênalti.


Na segunda fase, o Brasil perde a vaga na final pelo saldo de gols


Estavam na segunda fase: Alemanha Ocidental, Áustria, Itália e Países Baixos no Grupo A; Argentina, Brasil, Peru e Polônia no Grupo B.


Os Países Baixos reencontraram seu melhor futebol: golearam a Áustria por 5 a 1, empataram com a Alemanha Ocidental em 2 a 2 e ganharam da favorita Itália por 2 a 1, garantindo a vaga na final. A Itália, grande sensação da primeira fase com 100% de aproveitamento, empatou com a Alemanha em 0 a 0, derrotou a Áustria por 1 a 0 e teve de disputar o terceiro lugar por terminar na segunda posição da chave.


No grupo de Brasil e Argentina, o cenário foi polêmico. O Brasil, modificado com as entradas de Rodrigues Neto, Jorge Mendonça e Roberto Dinamite nos lugares de Edinho, Zico e Reinaldo, recuperou-se da apatia e venceu o Peru por 3 a 0. A Argentina passou pela Polônia por 2 a 0. Em Rosário, argentinos e brasileiros empataram em 0 a 0, um resultado que seria fatal para as pretensões brasileiras.


Na última rodada, o Brasil venceu tranquilamente a Polônia por 3 a 1. Com este resultado, restava à Argentina vencer o Peru por quatro gols de diferença para ir à final. Os donos da casa golearam os peruanos por 6 a 0.


A Argentina goleou o Peru por 6–0. O resultado do jogo mandou o Brasil para a decisão de 3º lugar, que venceria da Itália por 2–1

O resultado mandou o Brasil para a decisão do terceiro lugar, na qual venceu a Itália por 2 a 1. A grande final foi decidida no Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires. A Argentina venceu os Países Baixos por 3 a 1 na prorrogação e conquistou seu primeiro título mundial. Mario Kempes abriu o placar, Nanninga empatou no tempo normal e, no tempo extra, Kempes e Bertoni selaram a vitória.


A Copa da Argentina e a conexão com o Fluminense-RJ


Durante a preparação e a campanha no Mundial de 1978, Sebastião “Tião” Araújo, ao lado do técnico Cláudio Coutinho, foi peça importante na comissão técnica para ajudar o Brasil a garantir o terceiro lugar invicto. Um ano depois, após mais de uma década trabalhando nas categorias de base do Fluminense ao lado do amigo e ex-zagueiro Pinheiro, Tião Araújo, um paraense de origem, mas que vive parte da infância e adolescência no Acre, inclusive, atuando na posição de goleiro nas equipes do Atlético-AC, Independência e Rio Branco, assumiu o cargo de treinador da equipe principal do Tricolor das Laranjeiras.


Quem foi Sebastião Araújo?


Tião Araújo era paraense, mas morou no Acre desde a infância. Chegou a jogar nas categorias de base do Rio Branco, do Atlético e do Independência. Posteriormente, mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar Educação Física, estado onde se consolidou profissionalmente no futebol.


Curiosidades da Copa de 1978



  • Papelão duplo: Eliminadas ainda na primeira fase, as seleções da França e da Hungria protagonizaram uma gafe histórica ao entrarem em campo com uniformes idênticos, o que atrasou a partida até que camisas de um clube local fossem providenciadas.

  • Invencibilidade sem taça: Foi a primeira edição de Copa em que o Brasil terminou sem nenhuma derrota e não foi campeão. Tal feito se repetiria em 1986, quando a Seleção foi eliminada pela França nas quartas de final, nos pênaltis (e onde a Argentina também terminaria campeã).

  • Suspeita de fraude: O jornal inglês Sunday Times denunciou que os argentinos estariam fraudando os testes antidoping. A acusação era de que a urina entregue após as partidas não era dos atletas, que supostamente utilizavam fortes doses de anfetaminas. Um homem teria sido contratado pela delegação apenas para fornecer amostras limpas.


Itália cresce, elimina o Brasil e vence a Alemanha na final da Copa de 1982


A Copa do Mundo FIFA de 1982 foi a primeira a contar com 24 seleções, incluindo várias estreantes. No total, 105 países participaram das eliminatórias. O campeonato ocorreu na Espanha e teve a Itália como campeã.


A Seleção Brasileira, comandada por Telê Santana, encantou o mundo com um futebol ofensivo e vistoso. O time conquistou a Espanha e entrou para a história como uma das melhores seleções de todos os tempos, mesmo sem ter vencido o campeonato.


SELEÇÃO DA ITÁLIA – 1982. Fotografia antes do jogo contra a Argentina, na segunda fase. Em pé, da esquerda para a direita, estão Zoff, Antognoni, Scirea, Graziani, Collovati e Gentile; Agachados: Rossi, Conti, Cabrini, Oriali e Tardelli.

Na primeira fase, o Brasil se classifica com 100% de aproveitamento


Grande favorito ao título, o Brasil estreou contra a União Soviética. Foi um jogo duríssimo, marcado por falhas da defesa brasileira, um gol mal anulado dos soviéticos e um pênalti não marcado a favor da seleção vermelha. Os soviéticos abriram o placar com um gol de longe após falha de Waldir Peres.


No segundo tempo, o Brasil colocou a bola no chão e o gênio de Sócrates brilhou no gol de empate: ele driblou dois jogadores e soltou uma bomba no ângulo. Aos 43 minutos veio o gol da vitória: Éder Aleixo disparou um violento chute de fora da área, sem chances para Rinat Dasayev. Brasil 2 a 1.


Em seguida, a equipe de Telê venceu a Escócia por 4 a 1, na segunda virada dos Canarinhos no torneio, com direito a um golaço de falta de Zico. Contra a Nova Zelândia, a Seleção desfilou em campo e goleou por 4 a 0. A URSS, após empatar com a Escócia, ficou com a segunda vaga devido ao melhor saldo de gols. Mais uma vez, os escoceses caíam na primeira fase.


Brasil – 1982. Em pé, da esquerda para a direita: Valdir Peres, Leandro, Oscar, Falcão, Luizinho e Júnior. Agachados: Nocaute Jack (massagista). Sócrates, Toninho Cerezo, Serginho, Zico e Eder.

Após três empates na primeira fase, a Itália decola


Em Vigo, a Itália acumulou atuações questionáveis. Foram três empates decepcionantes na primeira fase contra Polônia, Peru e Camarões. A Azzurra só se classificou por ter marcado um gol a mais que os camaroneses. A Polônia de Lato e Boniek goleou o Peru por 5 a 1 e ficou com o topo do grupo.


O clima na seleção italiana era tão tenso que o técnico Enzo Bearzot ordenou o famoso silenzio stampa: os jogadores foram proibidos de dar entrevistas e de ler jornais, evitando que fossem contaminados pelo pessimismo da imprensa de seu país.


Com show de Paolo Rossi, Itália elimina o Brasil no Estádio Sarriá


Na segunda fase, o Brasil caiu no grupo com Argentina e Itália. Primeiramente, o Brasil atropelou a Argentina, vingando-se do ocorrido em 1978. Com uma exibição irrepreensível, o time comandado por Zico envolveu a defesa rival e abriu 3 a 0. Nervoso, o jovem Diego Maradona acabou expulso após dar um chute na barriga de Batista. No fim, o placar terminou em 3 a 1 para os brasileiros.


O carrasco Paulo Rossi comemora o terceiro gol italiano; garotinho com a camisa amarelinha vai às lágrimas em tarde horror e eliminação dos brasileiros no estádio Sarrià, na cidade de Barcelona-ESP

A Itália também venceu a Argentina, por 2 a 1. O confronto final entre Brasil e Itália definiria o semifinalista e se tornou uma das maiores partidas da história dos mundiais. O duelo marcou o despertar do atacante Paolo Rossi, que marcou os três gols italianos. Sócrates e Falcão descontaram para o Brasil, mas a derrota por 3 a 2 selou a eliminação brasileira no episódio conhecido como “A Tragédia do Sarriá”.


Alemanha supera a França em jogo épico e vai à final


Na prorrogação, a França chega a fazer 3 a 1. Mas, os alemães, liderados por Rummenigge, buscaram o resultado e venceram nos pênaltis

A Alemanha garantiu sua vaga na final após uma semifinal histórica contra a França de Michel Platini. No tempo regulamentar, o placar foi de 1 a 1. Na prorrogação, a França abriu uma vantagem de 3 a 1. No entanto, os alemães, liderados pelo retorno de Rummenigge, buscaram o empate em apenas sete minutos. Na primeira decisão por pênaltis da história das Copas, a Alemanha levou a melhor.


Na outra semifinal, a Itália venceu a Polônia em Barcelona por 2 a 0, com mais dois gols de Paolo Rossi. Na decisão do terceiro lugar, a França sucumbiu diante dos “Águias Brancas”, e a Polônia igualou seu feito de 1974 ao vencer por 3 a 2.


Azzurra domina o cenário e conquista o mundo na Espanha


O experiente goleiro italiano Dino Zoff ergue da taça Fifa

A grande final aconteceu no Estádio Santiago Bernabéu, em Madri. O que prometia ser um clássico equilibrado virou um domínio completo da Itália, que não tomou conhecimento da Alemanha.


Após um primeiro tempo sem gols (0 a 0), a seleção italiana deslanchou na segunda etapa e abriu 3 a 0 — sendo o primeiro gol anotado por Paolo Rossi, que se isolou como o artilheiro do torneio com seis gols. A Alemanha ainda diminuiu no fim, mas era tarde para qualquer reação. Com o placar de 3 a 1, a Itália sagrou-se tricampeã mundial, consagrada após superar a Argentina (então atual campeã), o Brasil (o grande favorito) e a Alemanha (sua maior rival europeia).


O italiano Paolo Rossi marcou na final diante dos alemães e foi o artilheiro da Copa do Mundo da Espanha, com 6 gols.

Curiosidades da Copa de 1982



  • Violência em campo: O lance mais lamentável da Copa foi a entrada violenta do goleiro alemão Harald Schumacher sobre o francês Patrick Battiston. O atacante caiu desmaiado, perdeu dentes e quebrou vértebras, fazendo com que muitos no estádio temessem pelo pior. O árbitro sequer marcou falta.

  • Goleada histórica: A Hungria relembrou os tempos áureos da máquina de Ferenc Puskás de 1954 e aplicou a maior goleada da história das Copas do Mundo ao vencer El Salvador pelo placar de 10 a 1.

  • Zebra argelina: No grupo da Alemanha Ocidental, ocorreu uma das maiores zebras de todos os tempos: a estreante Argélia surpreendeu o mundo ao vencer os germânicos por 2 a 1 na rodada de abertura.

  • Premiações individuais: O volante Falcão, destaque do meio-campo brasileiro, foi eleito pela FIFA o segundo melhor jogador da competição, recebendo a Bola de Prata. Já o camisa 10 Zico terminou como o terceiro principal goleador do torneio, garantindo a Chuteira de Bronze.


 




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