Diagnóstico participativo reúne aldeias Arara para discutir futuro dos territórios
Mais de 45 indígenas do povo Arara participaram, entre a sexta-feira, 22, e o sábado, 23, da continuidade da 3ª etapa do diagnóstico participativo realizado pela Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas. A atividade reuniu moradores das aldeias Matrinxã, Bom Futuro, São José, Foz do Nilo, Paz/Porto Alegre, Raimundo Vale/Boa Esperança, São Luiz, Santo Antônio e Candim para debater demandas dos territórios indígenas.

A ferramenta reúne dados sobre aldeias, famílias e benefícios recebidos, além de auxiliar no planejamento de ações voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas e ao fortalecimento de áreas como educação, saúde, cultura, turismo, segurança alimentar e produção sustentável. Segundo a titular da Sepi, Francisca Arara, o diagnóstico permitirá ao governo enxergar, de forma mais integrada, a realidade de cada território indígena no Acre.

“O diagnóstico participativo faz parte de uma política pública contínua que já desenvolvemos em territórios indígenas do Acre. A proposta é ampliar nossa atuação, a partir de informações mais detalhadas sobre cada terra indígena. Esse levantamento complementa os planos de gestão territorial e ambiental já existentes e deve orientar tanto as políticas públicas quanto as ações dos parceiros institucionais, evitando a sobreposição de recursos”, conclui.
Durante a programação, lideranças e moradores destacaram a influência do diagnóstico na identificação das principais demandas do território.
Orleir Lima Arara, professor da educação infantil, destacou os avanços da educação na aldeia e afirmou que apresentou aos alunos das turmas do 8º e 9º ano a proposta do diagnóstico realizado na Aldeia Foz do Nilo, explicando a importância do levantamento de informações para o futuro do povo indígena.

O educador afirmou: “Nós indígenas temos sonhos, como educação e saúde de qualidade, proteção ao meio ambiente e valorização da ancestralidade, que continua viva e fortalece nossa relação com a água e com a floresta. Durante a ação governamental, vimos os avanços já conquistados, mas também a necessidade de melhorar e cuidar mais do que já foi alcançado”.
Nazaré Macedo, engenheira agrônoma e doutora em manejo de bacias pela Universidade Federal do Acre (Ufac), destaca que o trabalho também contribui para ampliar o diálogo entre os territórios e o poder público.

“O diagnóstico busca fortalecer a participação dos povos originários na construção e avaliação das políticas públicas, além de levantar informações sobre a organização social, territorial e associativa dos territórios envolvidos. O trabalho também identifica as percepções das comunidades sobre os impactos concretos dos benefícios recebidos nos últimos anos”, afirmou.
Os indígenas Shawãdawa preservam o território há muitos anos, e esse ensinamento continua sendo passado de geração em geração, reforçando a importância de valorizar a própria identidade, proteger o território e buscar melhorias para o povo.

Na ação identificou-se a atuação de diversas instituições nos territórios, entre elas o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), a Sepi, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o Ministério da Educação (MEC), a Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre (SEE), Instituto Catitu, que é uma Organização não governamental (ONG), Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre (AMAAIAC), Comissão Pró- Indígena(CPI), a Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ).

Histórico das etapas do Diagnóstico
A 1ª etapa, realizada de 30 de junho a 9 de julho de 2025, contemplou os Territórios Indígenas Puyanawa, no município de Mâncio Lima e Nukini/Katukina/Kaxinawá, em Feijó. No caso da 2ª etapa, ocorrida de 8 a 19 de outubro de 2025, abrangeu os Territórios Indígenas Noke Koe, em Cruzeiro do Sul, e Nukini e Nawa, em Mâncio Lima.
A 3ª etapa do diagnóstico participativo nas Terras Indígenas Kaxinawá Alto Rio Jordão, Seringal Independência e Médio Baixo Rio Jordão são referentes à 3ª etapa, juntamente com a Terra Indígena Arara do Igarapé Humaitá.
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