Façanha completa Jubileu de Pérola na crônica esportiva
Há exatos 30 anos, eu iniciava minha carreira de jornalista esportivo em uma redação cercada pelo barulho de teclas das máquinas Olivetti, vozes, risadas e, ainda, pela famosa expressão deadline — termo em inglês que significa “prazo final” ou “data limite” para a entrega da produção. Lembro-me de que eu, ainda franzino, bela cabeleira e prestes a completar 26 anos, com uma pasta em mãos, cheguei à redação do jornal O Rio Branco a convite do jornalista esportivo Raimundo Fernandes (editor de Esportes), para um período de estágio.
Essa minha oportunidade no jornalismo esportivo começou bem lá atrás. Eu, ainda criança, era muito focado não somente na prática esportiva — fui praticamente criado dentro do campinho de terra batida da Funbesa —, mas entendia de regras, conhecia personagens esportivas e ainda um pouco da história das modalidades. Essa dedicação me proporcionou conhecimento e, durante esse início de jornada, tive o privilégio de contar com o vasto saber do saudoso professor José Aparecido Pereira dos Santos (Nino), ex-craque e treinador do futebol acreano.

Chegada à redação do jornal O Rio Branco
Outro momento que antecedeu minha chegada à redação do jornal O Rio Branco foi minha produção de textos esportivos para o jornal O Manifesto Bancário, informativo sindical que era distribuído à categoria do ramo financeiro do estado. O jornal tinha um espaço dedicado às atividades esportivas e culturais e, a pedido do então presidente João Braña, eu produzia alguns textos, pelo fato de eu responder pela pasta de diretor de Esporte, Cultura e Lazer da entidade sindical.
Então, certa vez, enquanto distribuía o jornal, passei na Rádio Difusora Acreana. Lá, encontrei o Raimundo Fernandes, um amigo do bairro da Estação Experimental. Não somente entreguei o jornal em suas mãos, como pedi uma força na divulgação das atividades esportivas da categoria bancária. No mesmo dia, o Fernandes me ligou, elogiou a matéria esportiva do jornal e disse que tinha uma proposta de estágio para mim no jornal O Rio Branco.

Eu, a princípio, não aceitei. Achava-me inseguro para assumir tamanha responsabilidade, apesar da minha formação superior no curso de História da Universidade Federal do Acre – Ufac (1991-1994). Lembro-me ainda de que, nesta época, o jornalismo impresso tinha grande força na sociedade. No entanto, o Fernandes me falou que precisava de alguém como eu para assumir o seu posto no diário, pois ele iria buscar uma vaga de vereador na Câmara Municipal de Rio Branco (1996). Então, mesmo com as barbas de molho, aceitei o desafio.

Lá no jornal O Rio Branco fiquei por 19 anos (1996-2015). Foram momentos de grandes aprendizados, amizades (já conhecia o Antônio Muniz, o Ray Melo e o Evandro Cordeiro, todos da redação do impresso), oportunidades e reconhecimento. Nunca tive um texto retirado do espaço físico da página por questões ideológicas (censura) pelo seu proprietário, o empresário Narciso Mendes. Posso dizer que sempre tive a liberdade de escolher as minhas pautas diárias, e isso contribuiu muito para a minha longevidade de quase duas décadas no diário.

Mudança de ares e mais de 30 mil textos
E, nesta retórica de três décadas de puro jornalismo esportivo, só tenho a dizer que foram anos de muita produção — entre matérias, notas e crônicas (coluna), acredito que a produção superou a casa dos 30 mil textos. Uma contribuição importantíssima, que serve para contar parte da história do esporte acreano.

Seguindo a cronologia do tempo, transferi-me para o jornal Opinião em maio de 2015. Lá fiquei por quase 9 anos. Neste período (2015-2024), ao lado do professor Francisco Dandão, impulsionamos o jornalismo de memória esportiva com diversos textos de craques do passado, entre outras histórias do esporte acreano.


Liderança, organização da categoria e reconhecimento
E, nessa minha atividade de jornalista esportivo, ainda encontrei tempo para uma nova formação superior na área de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pelo Iesacre/Uninorte (2006-2009). Inquieto, ainda respondi diversas vezes pela presidência da Associação dos Cronistas Esportivos do Acre (Acea) e fiz parte da diretoria da Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace), inclusive ocupando a cadeira de vice-presidente no período de 2017-2021 — entidade que conta com cinco vice-presidências.

Nesta minha atuação como presidente da queridíssima Acea, elaborei o estatuto da entidade, organizei, em conjunto com vários cronistas esportivos, inúmeros “Torneios Início”, criei o “Prêmio Destaque Esportivo Campos Pereira” e conduzi as edições de 2005, 2006, 2007 e 2012. Também idealizei e coloquei no ar o site da Associação dos Cronistas Esportivos do Acre (Acea).

Na busca por organizar a categoria e não perder as discussões a respeito das mudanças adotadas para o credenciamento dos profissionais de imprensa esportiva, participei de 18 congressos. Boa parte dos deslocamentos foi paga do meu próprio bolso, mas é algo que não vejo como prejuízo, e sim como lucro, pelo conhecimento adquirido, pelas amizades e pelos locais maravilhosos que conheci durante essas andanças pelo país.



Toda essa produção contribui para que eu seja uma referência, principalmente no aspecto da memória do futebol acreano. Neste período de três décadas, fui homenageado por diversas entidades pelos relevantes serviços prestados ao desporto: Prêmio Destaque (colunista social Rubedna Braga – 2010 e 2014); Prêmio Destaque Campos Pereira – 2005 e 2008; Prêmio Mérito AABB – 2002; Medalha de Honra ao Mérito do Recriança; Medalha de Honra ao Mérito pela passagem do 30º aniversário da Abrace (2004); Certificado de Mérito concedido pela Federação Acreana de Motocross (2004); Certificado de Mérito concedido pelo Conselho Regional de Educação Física (2016); Certificado de Honra ao Mérito concedido pela Federação de Judô do Estado do Acre (2017); 6º Encontro de Escolinha de Futebol de Base Comunitária (2021), entre outras.



Literatura esportiva segue como uma das paixões

E a minha história no jornalismo esportivo ganhou mais um capítulo, este destinado à produção da literatura esportiva. No ano de 2012, lancei a obra “Jornalismo Esportivo no Acre na Era do Futebol Profissional”. Outros três livros (Entrevistas e Memórias do Futebol, Três Cronistas na Grande Área e Personagens do Futebol Acreano) foram frutos da parceria com os jornalistas Francisco Dandão e Augusto Diniz — este último, hoje escrevendo para o caderno de cultura na revista Carta Capital.


Outras contribuições minhas para a literatura esportiva ocorreram em algumas edições da publicação “Futebol Acreano em Revista” e em matérias que tive a oportunidade de escrever para a revista Placar. Isso sem falar da colaboração para a produção da revista histórica e comemorativa de 30 anos de organização sindical da categoria bancária no estado (Revista Acre Bancário), lançada em 2014.
Todo esse conhecimento e organização de memória me credenciaram a participar da criação da sala de memória do saudoso presidente da Federação de Futebol do Acre (FFAC), o advogado Toniquim, espaço inaugurado em abril de 2026.

Também nessas minhas atividades de jornalista esportivo, tive a oportunidade de palestrar na Semana de Letras da Ufac, em 2012, sobre o tema jargões futebolísticos. Na universidade pública, ainda tive a honra de proferir outras duas palestras nos cursos de Jornalismo e Educação Física, oportunidade em que fui convidado para falar do meu livro: ‘Jornalismo Esportivo no Acre na Era do Futebol Profissional’, lançado em dezembro de 2012.

Criação do site “Na Marca da Cal”

Na última década, com o advento da popularização dos sites, resolvi criar o “Na Marca da Cal”, uma revista eletrônica que contribui para a divulgação do esporte local, principalmente o futebol. O site (namarcadacal.com.br) tem um valoroso material de memória e já resgatou a história de centenas de personagens do esporte acreano.
É digno de registro, ainda, o fato da minha presença em algumas redações de sites coirmãos, como ac24horas.com, oriobranco.net, ContilNet, entre outros. Na atualidade, estou há pouco mais de dois anos contribuindo com o site Acrenews.
Então, era isso. Quero dizer que o dia 20 de maio de 1996 é uma data inesquecível no meu calendário. Uma data que mudou a trajetória da minha vida, abrindo portas, dando-me conhecimentos e oportunidades. Oxalá sigamos nesta “cachaça” para completarmos, quem sabe, mais um Jubileu de Pérola.





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