Peruano mão de alface
Faltam pouco mais de três meses para a Copa do Mundo de Futebol de 2026. Estamos, portanto, quase lá. Basta piscar os olhos e pronto, chegará o dia. Quarenta e oito países estarão envolvidos na disputa. E no final das contas, só um (que eu espero seja o Brasil) vai soltar o grito da vitória!
Mas, enquanto o dia não chega eu fico aqui no meu exílio voluntário de Copacabana, na sempre maravilhosa cidade do Rio de Janeiro, lembrando de inúmeras histórias de Copas que já passaram. São muitas histórias. Tantas que a maioria delas aos poucos está a cair nas curvas do esquecimento.
Então, pra não dizer que eu não gosto de falar de flores (como aquele poeta da canção proibida nos famigerados anos de chumbo), vou tratar neste texto de hoje de duas dessas histórias (uma absurda e a outra de malandragem) acontecidas na Copa do Mundo da Argentina, em 1978.
A história que eu considero absurda aconteceu no jogo de estreia da seleção brasileira. O Brasil, que alinhava gente do porte de, entre outros, Leão, Oscar, Edinho, Gil, Amaral, Rodrigues Neto, Dirceu, Cerezo, Rivellino, Nelinho, Reinaldo e Zico, era favoritíssimo contra a Suécia.
O jogo, entretanto, enrolou e os descendentes dos “terríveis vikings” abriram o placar com um tal Sjöberg (há quem diga que o gol foi de Thor, o deus deles do trovão), aos 36 minutos do primeiro tempo. Daí o Brasil foi pra frente e empatou com Reinaldo, aos 45 minutos ainda da etapa inicial.
No segundo tempo, o Brasil foi só ataque, mas nada de fazer o gol. Eis que, no minuto final, depois de um escanteio, Zico, de cabeça, fez 2 a 1. O gol, porém, foi anulado, porque o juiz encerrou a partida com a bola viajando pelo alto, do escanteio para a pequena área. O mundo se quedou perplexo!
Já a história da malandragem se deu por conta da goleada do time argentino sobre o Peru. A seleção argentina precisava vencer o Peru por diferença de pelo menos quatro gols, para superar o saldo do Brasil e ir à final. Pois los hermanos fizeram seis. Os quatro e mais dois de lambuja.
Não seria de causar desconfiança a goleada da Argentina sobre o Peru se este último não viesse de uma ótima campanha, com vitórias sobre a Escócia (3 a 1) e o Irã (4 a 1), além de um empate com a Holanda (que depois seria vice-campeã do torneio). Não era, portanto, um time para ser goleado.
Detalhe insólito: o goleiro do Peru em 1978, de nome Ramón Quiroga, nasceu em Rosário (Argentina) e só depois de adulto é que ele se naturalizou peruano. Apelidado de Chupete (na Argentina) e El Loco (no Peru), bem que depois do jogo ele poderia também ser chamado de “Mão de Alface”.




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