• Rio Branco, 28/02/2026
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Comer mais gordura reduz a vontade de doce? Veja o que diz a ciência

Estratégia nutricional envolvendo gordura ajuda a equilibrar a glicemia, a aumentar saciedade e a diminuir picos de desejo por doce

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Comer mais gordura reduz a vontade de doce? Veja o que diz a ciência Freepik

Sentir vontade de comer doce todos os dias não é, necessariamente, falta de força de vontade. Em muitos casos, pode ser um sinal de desequilíbrio alimentar. E a solução pode parecer contraintuitiva: incluir mais gorduras boas nas refeições.

A explicação está na forma como o corpo regula a fome, a saciedade e os níveis de açúcar no sangue.

O papel da glicemia no desejo por açúcar

Quando uma pessoa consome refeições ricas em carboidratos simples e pobres em gordura e proteína, a glicose no sangue sobe rapidamente. O problema é que ela também tende a cair com rapidez, o que pode provocar fadiga, irritabilidade e, claro, vontade de comer doce novamente.

Doces - Metrópoles - glicemia hiperglicemia
Doces são ultraprocessados

Esse ciclo de pico e queda favorece o chamado “efeito montanha-russa” da glicemia.

A gordura entra como aliada porque desacelera o esvaziamento gástrico e a absorção dos carboidratos. Com isso, a liberação de glicose na corrente sanguínea acontece de forma mais gradual, reduzindo oscilações bruscas e, consequentemente, diminuindo os gatilhos para novos desejos por açúcar.

Saciedade mais duradoura

A gordura é o macronutriente mais calórico, mas também um dos que mais promovem saciedade. Quando incluída em quantidades adequadas, ela ativa hormônios ligados à sensação de satisfação, como a colecistocinina.

Leticia Senciani/Getty ImagesFoto colorida de pessoa segurando um prato de comida saudável - Exagerou? Hepatologista conta o que é bom para desintoxicar o fígado - Metrópoles
Escolher alimentos mais saudáveis é a chave para diminuir os riscos de doenças cardiovasculares

Na prática, isso significa que refeições equilibradas, contendo carboidratos, proteínas e gorduras boas, tendem a sustentar a energia por mais tempo e reduzir aquela busca automática por um chocolate no meio da tarde.

Quais gorduras fazem diferença?

É importante destacar que não se trata de liberar frituras ou alimentos ultraprocessados. O benefício está principalmente nas chamadas gorduras insaturadas, encontradas em:

  • Abacate;
  • Azeite de oliva;
  • Castanhas e nozes;
  • Sementes como chia e linhaça;
  • Peixes como salmão, atum e sardinha.
Erika Bunea / Getty ImagesFoto de fruta abacate, gordura boa, partida ao meio- Metrópoles
O abacate é rico em gorduras boas

Esses alimentos, além de ajudarem na saciedade, também estão associados à saúde cardiovascular e ao controle de processos inflamatórios.

Desejo por doce é só fisiológico?

Nem sempre. Fatores emocionais, privação alimentar excessiva e dietas muito restritivas também aumentam a compulsão por açúcar.

Quando a gordura é retirada de forma exagerada da alimentação a tendência é que a fome aumente e a busca por alimentos altamente palatáveis se intensifique.

Por isso, incluir gordura de qualidade pode ser uma estratégia não apenas metabólica, e sim comportamental: refeições mais completas diminuem a sensação de escassez e reduzem episódios de exagero.

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A estratégia diminui a vontade

Equilíbrio é a palavra-chave

Comer mais gordura não significa exagerar nas porções. O que a ciência aponta é que a combinação adequada de macronutrientes ajuda a estabilizar o apetite e reduzir a necessidade constante de açúcar.





Juliana Andrade(*) Juliana Andrade é nutricionista formada pela UnB e pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional. Escreve sobre alimentação, saúde e estilo de vida





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