Seis anos após o crime, 1° turma do STF inicia julgamento do caso Marielle Franco nesta terça
STF julga mandantes do caso Marielle e pode definir penas e responsabilidades de acusados com foro privilegiado; veja o que se sabe
Caso Marielle Franco: STF começa análise dos acusados Foto: Reprodução/NY Times/ND A primeira turma do STF (Supremo Tribunal Federal) inicia, nesta terça-feira (24), o julgamento do caso Marielle Franco, seis anos após o assassinato da vereadora do PSOL, morta a tiros em março de 2018, no Rio de Janeiro.
O processo ocorre em meio à expectativa do desfecho sobre a responsabilização dos supostos mandantes do crime, após anos de investigação conduzida por diferentes instâncias.
Conforme informações da Veja, o entendimento é de que o caso ganhou prioridade institucional pela repercussão social e pelo impacto sobre a credibilidade das investigações envolvendo agentes públicos.
Quem são os réus julgados pelo STF?
A Primeira Turma analisa a situação de cinco acusados apontados como envolvidos na articulação do crime. Estão no banco dos réus:
- Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro;
- Chiquinho Brazão, ex-deputado federal;
- Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, acusado de tentar obstruir as apurações;
- Ronald Alves de Paula, major da Polícia Militar, suspeito de monitorar a rotina da vereadora;
- Robson Calixto, ex-policial militar e ex-assessor do TCE, que teria intermediado a arma usada no ataque.
Todos negam participação no crime.
Crimes e vítimas
O atentado ocorreu em 14 de março de 2018. Além de Marielle, o motorista Anderson Gomes também foi morto. A então assessora Fernanda Chaves sobreviveu ao ataque e atua como assistente da acusação no processo, ao lado das famílias das vítimas.
Como será o julgamento do caso Marielle Franco
O caso tem como relator o ministro Alexandre de Moraes, o que levou o processo à Primeira Turma do STF. As sessões estão previstas para ocorrer em dois dias: nesta terça, das 9h às 14h, e na quarta-feira (25), a partir das 9h. A abertura caberá ao presidente do colegiado, Flávio Dino.
Após a leitura do relatório, terão início as sustentações orais. O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, falará pela acusação, com tempo de uma hora, prorrogável por mais 30 minutos. Em seguida, será a vez do advogado assistente indicado pelas famílias. As defesas dos réus também terão uma hora cada para manifestação.
Encerradas as sustentações, os ministros votarão por ordem de antiguidade — além de Dino e Moraes, participam Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Caso haja condenação, o colegiado também definirá as penas.
Situação dos executores
Até o momento, apenas os autores materiais do crime foram condenados. O ex-PM Ronnie Lessa, que efetuou os disparos, recebeu pena de 78 anos de prisão, enquanto Élcio Queiroz, responsável por dirigir o carro no ataque, foi condenado a 59 anos. Ambos confessaram o crime e firmaram acordo de delação premiada com a Polícia Federal.
Na semana passada, Lessa e Queiroz também foram condenados, na esfera cível, ao pagamento de R$ 200 mil de indenização à viúva de Marielle, Mônica Benício. A decisão ainda cabe recurso.




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