‘Bobbie Goods’: a nova febre de livros de colorir
Movimento lembra fenômeno ligado à obra ‘Jardim secreto’, popular entre adultos em 2015. Nova coleção tem desenhos mais simples, fofos e com cenas cotidianas
O hábito de colorir desenhos, geralmente relacionado à infância, vem desde 2024 atraindo em massa um público mais velho, de adolescentes e jovens adultos, graças aos livros da coleção “Bobbie Goods”.
Fenômeno no TikTok, as ilustrações tomaram proporção enorme em pouco tempo. A hashtag #bobbiegoods na rede social já acumula mais de 145 mil publicações, e a #coloringbook (livro de colorir, em português), mais de 700 mil. Entre o fim de dezembro de 2024 e o início de março de 2025, mais de 150 mil cópias de obras de colorir foram vendidas no país, segundo a Nielsen Bookscan, que monitora o comércio de livros brasileiro.
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O que foi o fenômeno ‘Jardim secreto’
Há dez anos, um movimento parecido com “Bobbie Goods”, também alavancado pelas redes sociais, acontecia com livros como “Jardim secreto”, da ilustradora Johanna Basford. A obra retratava a fauna e a flora escocesas — em outras coleções, havia alguma variedade de temas, como mandalas e cenas mitológicas. A similaridade entre os livros era o fato de que tinham desenhos extremamente detalhados, com um apelo voltado ao público adulto, prometendo aliviar o estresse cotidiano.
No auge do fenômeno, entre abril e maio de 2015, essas obras corresponderam a mais de 14% de todo o faturamento do mercado editorial brasileiro. Com certos padrões de desenho e um processo de escolha de cores mais complexo, as ilustrações se afastavam de um formato que poderia ser considerado infantil.
Não é o que acontece em 2025. A coleção de livros “Boobie Goods” e outros similares trazem ilustrações com linhas mais grossas e simples e poucos detalhes, retratando principalmente animais fofos personificados realizando tarefas do dia a dia, como passear, fazer compras, ler, etc.
A viralização da nova onda de livros de colorir
A demanda por livros de colorir alimenta desde 2024 uma crescente popularização de criadores de conteúdo focados em pintar desenhos ou em quadros específicos voltados para o nicho. Mesmo que as ilustrações tenham traços simples, foi se criando uma variedade enorme de técnicas mais elaboradas para preenchê-las.
Texturas, construção de camadas, técnicas de luz e sombra, degradê, estampas, teoria das cores, detalhes com canetas mais finas — tudo isso passou a fazer parte de vídeos focados não só em mostrar as pinturas, mas em ensinar diferentes métodos e apresentar novos materiais.
Além disso, muitos influenciadores criam desafios para movimentar o conteúdo envolvendo os desenhos. São ideias como utilizar apenas uma cor para pintar um cenário, reproduzir personagens de filmes e séries em cima das ilustrações, criar céus elaborados, inspirar-se em obras de arte, produzir efeitos como o claro e o escuro na frente da luz de uma televisão, entre outros.
Enquanto os materiais da época do “Jardim secreto” geralmente eram lápis de cor, hoje o que predomina são as canetinhas e os marcadores coloridos. Em sites de compras, é possível encontrar uma variedade de kits com diferentes tamanhos e preços, com estojos de até 120 cores, a maioria na faixa entre R$60 e R$200. Para suportar seu uso, os papéis dos livros precisam ser de alta gramatura (com uma espessura maior).
A trajetória da ‘Bobbie Goods’
A “Bobbie Goods” foi criada em 2021 na Califórnia, nos Estados Unidos, pela ilustradora Abbie Goveia. O sucesso virtual das ilustrações e o ímpeto dos consumidores de fazerem parte do movimento chegou ao Brasil antes dos livros físicos. A partir deles também cresceu uma dinâmica de pirataria do material de Goveia, que passou a ser vendido na internet em encadernações feitas por papelarias.
Hoje quem comercializa os livros da “Bobbie Goods” no Brasil é a editora HaperCollins, que também adquiriu os direitos da “Coco Wyo”, coleção de artistas independentes com estilo parecido. Outras editoras — como a Camelot, a Girassol e a Ciranda Cultural — também lançaram livros para colorir com personagens fofos e traços simples.
A popularização do hobbie, apesar de estar bastante ligada à viralização na internet, relaciona-se ainda com uma tendência recente da busca de jovens por atividades offline. Materiais para crochê, diferentes tipos de artesanato, cerâmica e atividades em papel — como palavras cruzadas e pintura — tiveram um aumento significativo de vendas em 2024.
Fonte: Nexo jornal



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