‘Não vou cometer o mesmo erro’: Flávio Bolsonaro justifica ida para os EUA e critica retorno do pai ao Brasil após derrota em 2023
O senador afirmou que permanecerá nos EUA para evitar o que considera o mesmo erro do ex-presidente Jair Bolsonaro e disse que manterá seu mandato com participação virtual no Senado
Flávio Bolsonaro foi escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para ser o nome do PL na disputa presidencial de 2026 Foto: Instagram/Reprodução/ND Mais O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que não pretende retornar ao Brasil para “não cometer o mesmo erro” de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que voltou ao país em 2023 e acabou preso mais de dois anos depois. A declaração foi feita em entrevista exclusiva aos jornalistas Glenn Greenwald e Isabella Menon, publicada pela Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (6).
Falando de um espaço de coworking em Miami, nos Estados Unidos, o parlamentar justificou sua saída do território nacional como uma reação ao cenário político e judicial brasileiro. Segundo o senador, Jair Bolsonaro retornou ao Brasil por acreditar que enfrentaria um processo justo, o que ele considera ter sido uma decisão equivocada.
“Depois, essa farsa do 8 de Janeiro, que a gente sabe foi toda fabricada para tirá-lo [Jair Bolsonaro] da vida pública. Ele vai para os Estados Unidos e volta por saber que é inocente, acreditando que ia passar por um processo justo. Eu aprendo com os erros e os acertos do presidente Bolsonaro, e não vou cometer o mesmo erro”, afirmou durante a entrevista. Flávio Bolsonaro chegou aos EUA no dia 28 de outubro.
Jato que transportava Flávio Bolsonaro e família pousa em Miami após escala no EquadorFoto: Reprodução/ND MaisFlávio Bolsonaro comparou cenários jurídicos
Flávio argumentou que seu pai não cometeu crimes e que sua inelegibilidade ocorreu devido a discursos proferidos no 7 de Setembro e reuniões com embaixadores. O senador voltou a classificar os desdobramentos dos atos de 8 de Janeiro como um processo fabricado para retirar o ex-presidente da vida pública.
Flávio Bolsonaro apareceu com o cabelo recém-cortado em entrevista ao New York TimesFoto: Scott McIntyre/The New York TimesO senador afirmou que não pretende renunciar ao seu mandato no Senado Federal. Segundo ele, a intenção é continuar exercendo as atividades parlamentares de forma remota.
Recusa em detalhar plano de saída do Brasil
Flávio Bolsonaro se recusou a responder a perguntas sobre a logística de sua viagem, sobre quem financiou a saída do Brasil ou se contou com a ajuda de terceiros. A recusa ocorre após reportagens apontarem o suposto auxílio de um ex-agente do serviço de inteligência israelense, o Mossad, informação que o senador negou ter relação com o governo de Israel.
O senador relatou que decidiu deixar o país após ser intimado pela Polícia Federal e informado por agentes de que não poderia viajar. Ele afirmou que conversou com o pai e comunicou a esposa sobre a decisão antes de partir. Flávio justificou o sigilo sobre seus interlocutores alegando que qualquer pessoa de seu entorno poderia sofrer perseguições no Brasil.
Flávio Bolsonaro participa da CPAC nos Estados UnidosFoto: @cpac/Instagram/Reprodução/ND Mais“O Brasil não vive uma democracia plena. Qualquer pessoa do meu entorno vai ser perseguida. Essa eleição foi tomada pelo sistema contra mim. É por isso que estou aqui, porque no Brasil não há o que fazer. Aqui na América, eu tenho liberdade de me manifestar, não vou receber uma visita ilegal da polícia do governo para me perseguir, para revirar a gaveta de calcinha da minha filha. Eu não vou me submeter a isso. Não vou legitimar processo ditatorial comandado pelo Alexandre de Moraes”, contou à Folha de S. Paulo.
Admissão sobre ausência de provas e divergência com aliados
O parlamentar admitiu não ter provas de fraudes nas eleições presidenciais, alegando que o tema é impedido de ser investigado no país. Ele reafirmou que o PL pedirá a cassação da chapa governista por suposto abuso de poder econômico durante a campanha.
Flávio também minimizou as críticas públicas que recebeu de aliados políticos após a divulgação de uma carta na qual se declarava “presidente eleito”. Ele afirmou que divergências com nomes como o governador Tarcísio de Freitas fazem parte do debate e sustentou que pretende disputar a Presidência em 2030, caso seu pai continue inelegível.



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