PF encontra sala secreta com máquina de contar dinheiro em hangar usado por Willer Tomaz
Estrutura foi localizada em hangar de Willer Tomaz no Aeroporto de Brasília; PF investiga se houve retirada de dinheiro antes da inspeção
A Polícia Federal encontrou uma sala secreta em hangar ligado a Willer Tomaz, em Brasília Foto: Agência Senado/Reprodução/ND Mais A PF (Polícia Federal) encontrou uma sala secreta, aparentemente blindada, com equipamentos para guardar e contar dinheiro em um hangar usado por empresas de aviação do advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL). A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo.
A sala fica no Aeroporto Internacional de Brasília. Segundo a PF, os agentes encontraram malas vazias para transporte de grandes quantias, uma máquina de contar cédulas e prateleiras, mas não havia dinheiro no local. Tomaz afirma que a estrutura atende empresas de transporte de valores.
A descoberta ocorreu durante a Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Em 7 de agosto, agentes fizeram buscas, entre outros pontos, nos hangares 36 e 37 da área executiva do aeroporto e apreenderam quatro aeronaves.
Na ocasião, a PF também recolheu listas de passageiros e diários de bordo das aeronaves usadas em serviços de táxi aéreo. Depois da diligência, uma denúncia anônima apontou a existência de uma suposta sala secreta para guardar dinheiro. Na mesma tarde, os agentes voltaram ao local e identificaram sinais de alteração em uma parede do escritório. Atrás de um revestimento de madeira, encontraram uma porta metálica aparentemente blindada.
A PF informou que a sala parecia preparada para armazenar valores com segurança. Os investigadores pediram perícia para coletar impressões digitais e identificar quem utilizava o espaço. Ainda é preciso apurar se houve retirada de dinheiro durante o intervalo entre a saída dos agentes e o retorno ao hangar.


Willer Tomaz nega suspeita de dinheiro ilícito
Em nota, Willer Tomaz afirmou que a sala-cofre e os equipamentos fazem parte da estrutura operacional destinada a empresas de transporte de valores e clientes de suas empresas de aviação. Segundo ele, o local segue protocolos de segurança, controle e custódia.
O advogado declarou que ambientes protegidos, malotes e máquinas de contar cédulas são compatíveis com essa atividade e não indicam irregularidade. Também classificou como “fantasiosa” a insinuação de que as instalações seriam usadas para guardar ou contar dinheiro de origem ilícita.
Tomaz criticou a interpretação da PF e disse que não há prova que justifique atribuir caráter criminoso aos equipamentos.
PF também apura relação com Flávio Bolsonaro
O caso ocorre em meio a outra frente de investigação. Na semana anterior, a PF enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) um pedido de abertura de inquérito contra Flávio Bolsonaro por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Tomaz. O ministro Alexandre de Moraes foi sorteado para cuidar do caso, mas, segundo a campanha do senador, os autos ainda não haviam sido convertidos em inquérito.
A apuração envolve movimentações ligadas ao setor de apostas. Reportagem da Folha de 16 de outubro informou que uma empresa de apostas de Tomaz pagou voos de Flávio para a Europa em 2025 e intermediou a compra de passagens que teriam custeado viagens pessoais de integrantes dos dois núcleos familiares.
Willer Tomaz afirma que a estrutura atende empresas de transporte de valoresFoto: Reprodução/ND MaisSegundo a PF, Flávio também teve acesso operacional, como usuário master, a uma conta bancária da offshore Alcazar Holding, da qual Tomaz é sócio. Em maio de 2025, foi solicitada a retirada do acesso do parlamentar. Registros reunidos pela corporação mencionam festas, encontros e reuniões entre os dois. Questionado pela Folha em 16 de outubro, Flávio afirmou que sua relação com o advogado é exclusivamente de amizade.




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