Escala 5×2 começa 10 dias antes do Natal e comércio enfrenta seu primeiro grande teste na época mais movimentada do ano
Mudança para escala 5x2 começa em 15 de dezembro e sindicatos negociam novas regras, enquanto empresas avaliam contratações, horários menores e automação
O comércio negocia mudanças nas jornadas de trabalho com a chegada da escala 5×2 Foto: Agência Brasil/Reprodução/ND Mais A escala 5×2 começa a valer no comércio em 15 de dezembro, 10 dias antes do Natal, e coloca o comércio varejista diante de um teste em seu período de maior movimento. Sindicatos negociam mudanças nas convenções coletivas para adaptar as equipes à nova jornada.
O Sindicato dos Comerciários de São Paulo, por exemplo, que representa 500 mil profissionais, defende duas folgas semanais para todos e ao menos três domingos de descanso por mês. As empresas estudam como manter o atendimento e absorver os custos sem reduzir a remuneração.
O que muda para os trabalhadores na escala 5×2
O fim da escala 6×1 está previsto para 15 de dezembro. As convenções coletivas estão em renegociação porque a Emenda Constitucional 141 prevê que as cláusulas sobre jornada percam a validade em 60 dias, de acordo com a Folha de São Paulo.
A proposta sindical também prevê o revezamento em alguns setores, permitindo que vendedores trabalhem em ao menos um domingo e tenham a possibilidade de receber comissões melhores. Atualmente, a categoria tem dois domingos de descanso por mês.
A mudança na carga horária ocorrerá em etapas: de 44 para 42 horas semanais, 60 dias após a publicação da lei, e para 40 horas depois de 12 meses, em dezembro de 2027.
Sindicatos e representantes patronais discutem novas regras para os trabalhadores do comércioFoto: Agência Brasil/Reprodução/ND MaisAs entidades patronais avaliam alternativas para reorganizar as escalas e conter o aumento dos custos da folha de pagamento. Entre elas estão novas contratações, trabalho temporário, revezamento de turnos, redução do horário de funcionamento e automação de tarefas que possam ser executadas por máquinas.
A mudança exige rever cláusulas sobre jornada e descanso. Algumas modalidades de trabalho e o banco de horas dependem de negociação coletiva. Empresas menores podem enfrentar mais dificuldades, por terem equipes reduzidas e menos recursos para investir em tecnologia.
Natal aumenta a pressão sobre o varejo
Por outro lado, a nova jornada pode elevar custos justamente quando as lojas precisam manter o atendimento nos horários de maior movimento. As empresas poderão contratar, reduzir o expediente, adotar tecnologia ou repassar parte dos custos aos preços.
Escalas menores podem prejudicar clientes acostumados às compras em lojas físicas e estimular aquisições pela internet. O repasse de custos também tem limites: farmácias, por exemplo, vendem medicamentos com preços tabelados.
O cenário preocupa porque as vendas do varejo ficaram abaixo das expectativas em agosto.
A temporada de Natal exige planejamento maior do setor varejistaFoto: Agência Brasil/Reprodução/ND MaisSindicatos veem espaço para acordo
Geralmente o comércio costuma reforçar as equipes entre outubro e dezembro. Empresários esperam que as vendas de dezembro sejam superiores à média dos outros meses.
Os supermercados podem ser os primeiros a formalizar a adoção da escala 5×2. A convenção coletiva do setor havia sido assinada poucos dias antes da mudança, e grandes redes já adotam o modelo, mas sem reduzir a carga horária.
O acordo final ainda depende das negociações entre sindicatos e empregadores. Para o comércio, o desafio será conciliar as novas regras de descanso com a necessidade de atender à procura de Natal, sem comprometer a operação das empresas.




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