‘Não me lembro’: Vorcaro alega ‘branco’ ao ser confrontado pela PF com mensagens a Moraes
Daniel Vorcaro disse não se lembrar do destinatário de mensagens que, segundo a PF, foram enviadas ao ministro Alexandre de Moraes
Vorcaro disse não se lembrar do destinatário de mensagens que a PF atribui a Moraes Foto: PF/Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que não se lembra para quem enviou mensagens que, segundo os investigadores, tiveram como destinatário o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). O ex-banqueiro foi confrontado com o conteúdo durante depoimento prestado em 28 de agosto.
Em uma das mensagens analisadas pela PF, Vorcaro teria relatado a Moraes informações sobre o Banco Master e o avanço de apurações do Banco Central, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Os investigadores apontam que o conteúdo indica um pedido de ajuda ao ministro diante da pressão dos órgãos sobre o banco.
Questionado sobre quem recebeu as mensagens, porém, Vorcaro repetiu que não conseguia se recordar. O material faz parte das investigações que envolvem o Banco Master e que levaram a PF a identificar 52 mensagens entre Vorcaro e Moraes.
PF confronta Vorcaro com mensagens encontradas no celular
Na conversa atribuída ao ministro, o então banqueiro também afirma receber informações informais e confidenciais de dentro do Banco Central.
Vorcaro ainda menciona o avanço das investigações da PF e do Ministério Público e cita “G”. Para os investigadores, a inicial é uma referência ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Segundo o conteúdo, Galípolo e outros diretores estariam sendo pressionados pelos órgãos a adotar alguma medida.
No depoimento, o próprio Vorcaro reconheceu que “G” “provavelmente é Galípolo, o presidente”.
Vorcaro diz não lembrar destinatário
O delegado também mostrou uma nota que mencionava uma viagem a Abu Dhabi, o Fundo Garantidor de Créditos e nomes como “Andrei” e “Paulo”. Segundo a PF, as referências seriam ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Ao ser questionado sobre o conteúdo, Vorcaro afirmou que não conseguia se lembrar do contexto quando a anotação não indicava claramente com quem estava falando.
“De novo, notas assim eu não me lembro quando não fala quem é a pessoa, não me lembro qual o contexto”, afirmou.
Vorcaro acrescentou que conversava com várias pessoas próximas sobre uma transação envolvendo o Banco Master e disse acreditar que a mensagem tratava dessa negociação.
Vorcaro afirmou que não queria fazer inferências sem ter certeza sobre as mensagensFoto: Esfera Brasil/Reprodução/ND MaisO delegado, então, perguntou se ele se recordava das pessoas citadas. Vorcaro afirmou que precisaria saber quem recebeu a mensagem antes de dar uma resposta e disse que não queria fazer uma inferência sem ter certeza.
“Não quero fazer inferência aqui sem ter certeza, posso responder depois oportunamente quando tiver certeza, para não cometer erro aqui”, declarou.
A PF reforçou que as notas apresentadas correspondiam a mensagens enviadas ou compartilhadas e voltou a perguntar qual havia sido o destino delas. Vorcaro novamente respondeu que não se lembrava.
Defesa de Vorcaro cita possibilidade de futura delação
A defesa afirmou durante o depoimento que Vorcaro estaria disposto a colaborar com as investigações, mas indicou que informações relacionadas a outras pessoas poderiam ser apresentadas em uma eventual futura delação.
Segundo o advogado, o ex-banqueiro vinha respondendo às perguntas, apesar de ter sido informado sobre o direito de permanecer em silêncio, mas determinados fatos envolvendo terceiros poderiam ser tratados em outro contexto.
Vorcaro foi ouvido pela PF em uma investigação que apura, entre outros pontos, suspeitas de pagamento de propina a diretores do Banco Central e um suposto vazamento de informações sobre investigações contra o banqueiro.
PF apontou 52 mensagens entre Vorcaro e Moraes
No início de setembro, o ministro André Mendonça, do STF, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que apontou 52 mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
O documento foi elaborado por determinação de Mendonça no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master e ampliou a tensão dentro do Supremo.
Mendonça encaminhou ao plenário do STF a decisão sobre a abertura ou não de uma investigação contra Moraes. A questão pode ser analisada pelos ministros nesta terça-feira (15).
Moraes, por sua vez, encaminhou à Presidência do Supremo um relatório de inteligência da PF, sem valor probatório, que questiona a atuação de Mendonça na condução das investigações envolvendo os casos Master e INSS.
Moraes também pediu que o plenário analise a investigação. Essa discussão está prevista para 23 de setembro.



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