STF autoriza novo inquérito contra Lulinha: PF investiga atuação do filho de Lula na Dataprev
Investigação é um desdobramento do caso envolvendo o "Careca do INSS" e busca apurar suposta atuação de Lulinha junto à Dataprev
Novo inquérito contra Lulinha, filho do presidente Lula (PT), foi autorizado pelo ministro André Mendonça a pedido da Polícia Federal Foto: Reprodução/ND Mais O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça autorizou a Polícia Federal a abrir um novo inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A decisão foi tomada na sexta-feira (31) e amplia as apurações sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo o filho do presidente Lula (PT).
Segundo a investigação, Lulinha é suspeito de ter atuado para favorecer um empresário interessado em negociar contratos com a Dataprev, empresa pública responsável pela tecnologia e pelo processamento de dados da Previdência Social, além de outros órgãos do governo federal.
Novo inquérito contra Lulinha é desdobramento de investigação já em andamento
A autorização de André Mendonça atende a um pedido da Polícia Federal feito no âmbito do primeiro inquérito que já investiga Lulinha.
De acordo com os investigadores, o novo procedimento é um desdobramento das apurações relacionadas a suposto tráfico de influência em favor do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS“.
O empresário é investigado por possíveis negociações envolvendo o Ministério da Saúde para a venda de cannabis medicinal.
PF apura se Lulinha favoreceu um empresário interessado em contratos com a DataprevFoto: Reprodução/ND MaisAgora, a PF pretende apurar se houve atuação de Lulinha para facilitar interesses do empresário junto à Dataprev. A estatal é vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e administra a base de dados utilizada pelo INSS.
Defesa critica nova investigação
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, criticou a abertura do novo inquérito e afirmou que a Polícia Federal estaria adotando uma estratégia de “tentativa e erro”.
“Pelo jeito, a Polícia Federal está adotando uma estratégia de tentativa e erro, não achei aqui e vou procurar ali. É inacreditável, está fazendo a chamada melhor de três. Isso é pirotecnia”, declarou ao UOL.
O advogado também afirmou confiar na instituição e no diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, mas disse que há uma disputa interna dentro da corporação e classificou a investigação como uma “brincadeira de mau gosto”.
Lula diz que filho não terá tratamento privilegiado
Na véspera da decisão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou as investigações envolvendo o filho durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda.
Segundo o presidente, ele não utilizará o cargo para interferir nas apurações.
“Se o meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. Não haverá nenhum privilégio”, afirmou Lula.
Entenda o caso
Este é o segundo inquérito autorizado por André Mendonça para investigar Lulinha.
No dia 30, o ministro já havia autorizado outra investigação para apurar suspeitas de tráfico de influência em favor de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, em negociações ligadas ao Ministério da Saúde.
De acordo com o pedido da Polícia Federal, há suspeitas de que Lulinha teria utilizado sua influência junto ao Palácio do Planalto e ao Ministério da Saúde para vender acesso a integrantes do governo em troca de pagamentos.
Inicialmente, o pedido de abertura do inquérito foi encaminhado pela PF à presidência do STF para distribuição. A Corte, no entanto, decidiu enviar o caso ao ministro André Mendonça por considerar que os fatos têm relação com as investigações sobre as fraudes no INSS, já relatadas pelo magistrado.



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