• Rio Branco, 07/07/2026
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Sem taça, fica evidente que é preciso investir na base, CBF!

namarcadacal.com.br
Sem taça, fica evidente que é preciso investir na base, CBF!

Encontrar uma justificativa para a eliminação da Seleção Brasileira diante da Noruega na Copa do Mundo de 2026 vai dominar os debates nas rodinhas de conversa de bares, quermesses de igrejas e balcões de café, entre outros espaços, até o término do Mundial.


Eu, particularmente, para não ficar de fora desse debate, vou defender a tese de que precisamos priorizar a formação da nossa base. E, nessa tese, tenho afirmado e lamentado para alguns amigos que, há um bom tempo, vejo a ausência de crianças e adolescentes em quadras e campos de terra batida da nossa cidade — acredito que esse fenômeno não seja apenas em nossa capital, mas essa decadência também está presente em outras grandes cidades do território brasileiro. E esse esvaziamento de crianças e adolescentes dos campos de várzeas vai desde falta de políticas públicas/privadas ao vício da tela do celular.


Campo de várzea é palco de craques


Vou aproveitar essa minha análise para mergulhar no tempo, precisamente na década de 1980, época em que fiz parte de uma geração que aprendeu a jogar futebol em um campo de terra batida — o campinho do Maracutaia ou da Funbesa, como queiram, o qual apelido de “Wembley da minha infância e adolescência”. Lembro que, nesta época, a garotada se inspirava muito nos grandes craques como Zico, Sócrates, Falcão, Edinho, Júnior, Reinaldo, Roberto Dinamite, Careca e Pita (Brasil); Maradona e Passarella (Argentina); Paolo Rossi, Dino Zoff e Bruno Conti (Itália); Rummenigge e Lothar Matthäus (Alemanha); Michel Platini e Tiganá (França), entre outros.


Nesta época, naquele campo de terra batida, a criançada tinha liberdade para imaginar e criar jogadas incríveis que não eram repreendidas por vozes que vinham da beira do campo, mas sim aplaudidas e reverenciadas — ao contrário da realidade atual, em que os jovens são reprimidos. Neste espaço de terra batida, surgiram alguns craques do futebol local, como Sabino, Antônio Júlio, Artur Oliveira e César Limão, entre outros. No entanto, alguns não vingaram, muitos pelo fato de saírem do seu habitat natural e perderem a liberdade de conduzir a bola à sua maneira. Isso se justifica por uma orientação técnica que, algumas vezes, dependendo da dose, é maléfica ao futebol-arte, que servia de grande arma para o Brasil em competições internacionais.


Futebol globalizado é a nova realidade


Com o passar do tempo e a globalização do futebol ( a partir do início dos anos 1990), muita coisa mudou. No “Velho Mundo”, priorizou-se grandemente a formação de atletas, com muitos deles chegando muito cedo aos clubes formadores com o objetivo de criar um verdadeiro craque. Os investimentos para essa política são bastante consideráveis e a infraestrutura criada não é barata, mas, com a formação de novos talentos, ela é compensada. Vale lembrar que essa geração de bons jogadores é oriunda de várias nações, o que se justifica, na atualidade, pela boa performance de seleções como Cabo Verde, Marrocos, Noruega, Egito e Senegal, entre outras que conseguiram resultados importantes na Copa do Mundo de 2026. E, só para lembrar: o dinheiro investido na base em alguns países não vem apenas da iniciativa privada, ele também é oriundo do poder público.


Dinheiro tem, falta política correta de investimento


O leitor pode estar se perguntando: onde eu quero chegar? Bem, eu quero chegar ao ponto de mostrar que existe uma grande necessidade de uma política agressiva de investimentos por parte da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para descobrir talentos — e não apenas para realizar competições. Não basta identificar um garoto com potencial e rapidamente levá-lo para um clube onde, em pouco tempo, ele passará a ser mais um entre dezenas de outros jogadores. Portanto, é preciso apoio às escolinhas de alto rendimento e qualificar cada vez mais os profissionais que trabalham nelas — não somente com cursos “oferecidos”, mas pagos pelos próprios participantes à entidade máxima do futebol brasileiro, mas com aspecto de infraestrutura e com recursos fiscalizados. Tudo isso requer um bom investimento, lembrando que talento existe em qualquer lugar do planeta.


E se você me perguntar de onde virão os investimentos para essa política de fomento à base, eu respondo: do robusto cofre da CBF. Somente a título de informação, no mês de abril deste ano, a entidade futebolística brasileira aprovou uma receita de aproximadamente R$ 2,7 bilhões para o exercício de 2026 (90% desses valores são oriundos dos direitos de transmissão e de patrocinadores). Se ainda faltar dinheiro para a viabilização do projeto, basta “cortar na carne” e reduzir despesas com o pagamento de altos executivos, regalias diversas e os jetons concedidos aos presidentes de federações, assim como ao presidente Samir Xaud e seus pares da diretoria.


 




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