• Rio Branco, 30/06/2026
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Conservação e potencial de desenvolvimento sustentável são destaques na Área de Proteção Ambiental Lago do Amapá

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Conservação e potencial de desenvolvimento sustentável são destaques na Área de Proteção Ambiental Lago do Amapá

O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), tem fortalecido ações de conservação, recuperação ambiental e desenvolvimento sustentável na Área de Proteção Ambiental (APA) Lago do Amapá, em Rio Branco. A unidade de conservação é um dos territórios atendidos pelo Programa de Resiliência Socioambiental, iniciativa que integra segurança hídrica, restauração florestal, bioeconomia, governança e fortalecimento comunitário.


O Programa é executado pelo governo do Acre, por meio da Sema, em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), com financiamento do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, em articulação com o Consórcio da Amazônia Legal (CAL) e apoio do governo do Canadá.


Lago do Amapá dá nome à unidade de conservação e é um dos principais símbolos naturais da APA, estratégica para a proteção da água e da biodiversidade em Rio Branco. Foto: Gaio Nogueira/Sema

Criada em 2005, a APA Lago do Amapá possui aproximadamente 5.202 hectares e está localizada em uma região estratégica da capital acreana, próxima à Via Verde, ao Rio Acre e ao Riozinho do Rôla. Além da relevância ambiental, a unidade reúne comunidades rurais e urbanas, agricultores familiares, pescadores, ribeirinhos, atividades produtivas, potencial turístico e referências históricas ligadas ao antigo seringal Amapá.


A unidade é uma área de uso sustentável, categoria que permite compatibilizar a presença humana e o uso dos recursos naturais com a conservação da biodiversidade, a proteção dos cursos d’água e a melhoria da qualidade de vida das comunidades residentes e do entorno.


Território estratégico para Rio Branco


De acordo com os documentos técnicos da unidade, a APA Lago do Amapá foi criada com objetivos como preservar e recuperar remanescentes da fauna e da flora local, proteger o lago do Amapá e demais cursos d’água, ordenar a ocupação da área de influência do antigo seringal Amapá e promover educação ambiental, ecoturismo, pesquisa científica e conservação de valores ambientais, culturais e históricos.


Para o gestor da APA Lago do Amapá, Samyr Vieira de Farias, a unidade tem importância direta para Rio Branco e para as comunidades locais.


Segundo o gestor, a produção local e a conservação ambiental podem caminhar juntas na APA Lago do Amapá, com apoio às práticas sustentáveis e ao fortalecimento da bioeconomia. Foto: Gaio Nogueira/Sema

“Para Rio Branco, a APA Lago do Amapá é importante pela proteção da diversidade biológica, pela segurança hídrica, com a proteção do lago e dos cursos d’água, e pela preservação do patrimônio histórico, cultural e paleontológico. Para as comunidades locais, ela é fundamental para garantir o uso sustentável dos recursos naturais, a melhoria das condições de sobrevivência e a elevação da qualidade de vida”, afirmou.


A importância da unidade também está relacionada à dinâmica ambiental da capital. O território abriga o lago do Amapá, o Riozinho do Rôla, trechos do rio Acre, igarapés, remanescentes florestais e áreas com potencial para pesquisa científica, educação ambiental, turismo de base comunitária e valorização dos modos de vida locais.


Programa alia conservação e oportunidades sustentáveis


No âmbito do Programa de Resiliência Socioambiental, a APA Lago do Amapá integra um conjunto de ações planejadas para fortalecer a resiliência ambiental e comunitária. A iniciativa busca responder aos desafios como degradação de áreas sensíveis, pressão urbana, queimadas, necessidade de ordenamento do uso público, proteção de cursos d’água, educação ambiental e fortalecimento da participação social.


Para o diretor de Meio Ambiente da Sema e ponto focal do Programa de Resiliência Socioambiental, Erisson Cameli, a APA Lago do Amapá reúne características que tornam o território prioritário para uma atuação integrada.


Programa integra segurança hídrica, restauração florestal, bioeconomia e governança nas APAs Lago do Amapá e Igarapé São Francisco. Foto: Gaio Nogueira/Sema

“A APA Lago do Amapá é estratégica para o Programa de Resiliência Socioambiental porque reúne, em uma mesma unidade, recursos hídricos essenciais para Rio Branco, biodiversidade, comunidades, produção rural, memória histórica e potencial para o turismo sustentável. Trata-se de um território onde conservação ambiental e desenvolvimento comunitário precisam caminhar juntos”, destacou.


Segundo Erisson, os eixos do programa dialogam diretamente com a realidade da unidade de conservação.


“Quando falamos em segurança hídrica, referimos à proteção do lago, do Riozinho do Rôla, do rio Acre e dos demais cursos d’água. A restauração florestal contribui para recuperar áreas sensíveis; a bioeconomia fortalece alternativas de renda; e a governança garante que as comunidades participem das decisões. Esses eixos se conectam diretamente à realidade da APA”, explicou.


Plano de manejo orienta o uso sustentável


O plano de manejo é o principal instrumento de gestão da APA Lago do Amapá. É ele que orienta o zoneamento, define regras de uso, identifica potencialidades e estabelece diretrizes para que a unidade cumpra seus objetivos de criação.


APA Lago do Amapá possui aproximadamente 5.202 hectares e reúne recursos hídricos, comunidades, áreas produtivas, biodiversidade e referências históricas da capital acreana. Foto: Gaio Nogueira/Sema

Segundo Samyr Vieira, o documento organiza o território e orienta o equilíbrio entre conservação, uso sustentável e atividades humanas.


“O plano de manejo estabelece o ordenamento da ocupação. De acordo com o documento, a APA Lago do Amapá é dividida em oito zonas: Uso Restrito, Uso Moderado, Urbano-Industrial, Produção, Populacional, Adequação Ambiental, Interesse e Uso Público e Preservação. Cada zona possui regras próprias sobre o que é permitido, permissível e proibido”, explicou.


Entre os desafios atuais da gestão, estão a necessidade de ampliar a segurança no território, enfrentar atividades conflitantes com os objetivos da unidade, fortalecer a articulação entre os atores, regulamentar atividades específicas, reduzir a degradação dos recursos naturais e melhorar a infraestrutura voltada ao uso público.


Restauração florestal é uma das frentes do Programa de Resiliência Socioambiental para recuperar áreas degradadas e fortalecer a segurança hídrica. Foto: Gaio Nogueira/Sema

“Temos desafios relacionados à segurança no território, à presença de atividades conflitantes com os objetivos da unidade, à necessidade de regulamentação de atividades específicas e à degradação dos recursos naturais. Também há déficit de infraestrutura turística, de recursos humanos para o uso público e necessidade de ampliar ações de divulgação e capacitação comunitária”, pontuou o gestor.


Apesar dos desafios, a unidade também apresenta avanços e oportunidades. Recentemente, em parceria com a Secretaria de Turismo, foram formados dez alunos, com idades entre 18 e 70 anos, como condutores turísticos e intérpretes ambientais, iniciativa que contribui para preparar a comunidade para atividades de visitação e turismo sustentável.


Turismo, bioeconomia e participação comunitária


O plano de manejo e os documentos técnicos da APA apontam potencial para turismo sustentável, vivências histórico-culturais, educação ambiental, gastronomia regional, trilhas, pesca organizada, visitação ordenada e valorização dos modos de vida locais. Para que essas possibilidades se desenvolvam de forma segura, são necessárias ações de planejamento, sinalização, capacitação, infraestrutura, regras de uso e participação comunitária.


Bioeconomia, gastronomia regional, produção local e turismo sustentável estão entre os potenciais da APA Lago do Amapá para fortalecer a bioeconomia comunitária. Foto: Gaio Nogueira/Sema

Samyr Vieira destaca que o Programa de Resiliência Socioambiental pode apoiar o fortalecimento desses potenciais, respeitando as características do território e das comunidades.


“O Programa pode impulsionar a bioeconomia e o desenvolvimento socioeconômico local, além de fortalecer a restauração florestal e a segurança hídrica do lago e do seu entorno. Também há potencial para consolidar a APA como destino turístico nos próximos anos, com circuitos de aventura, vivências histórico-culturais e a instalação de um centro de interpretação”, ressaltou.


A participação social é um dos pontos centrais para o fortalecimento da unidade. Moradores, produtores, pescadores, empreendedores, instituições públicas e organizações da sociedade civil podem contribuir com o cuidado do território, a proteção dos cursos d’água, a prevenção de queimadas, o descarte correto de resíduos e o respeito às regras do plano de manejo.


Remanescentes florestais da APA contribuem para a proteção da biodiversidade, da água e dos serviços ambientais em Rio Branco. Foto: Gaio Nogueira/Sema

“A comunidade pode se envolver ativamente por meio dos eixos do próprio Programa de Resiliência, integrando os processos de governança participativa e tomada de decisão da unidade de conservação, participando de ações de educação ambiental e capacitação e atuando diretamente nas atividades de ecoturismo e cuidado local, ajudando a promover e vigiar o território contra ações degradantes”, completou Samyr.


Cuidar das APAs é cuidar da qualidade de vida


A comunicação pública também é parte essencial desse processo. Ao apresentar a APA Lago do Amapá para a sociedade, o programa contribui para ampliar o conhecimento sobre o território, explicar a importância da conservação e incentivar atitudes ligadas ao cuidado com a água, com a prevenção de queimadas, com o descarte correto de resíduos e com o uso sustentável dos recursos naturais.


APA Lago do Amapá é um território vivo, onde água, floresta, comunidades e história se conectam à agenda de desenvolvimento sustentável de Rio Branco. Foto: Gaio Nogueira/Sema

Para Erisson Cameli, a principal mensagem do governo é que as APAs são territórios vivos e fundamentais para o futuro de Rio Branco.


“Quando cuidamos das APAs, preservamos a água, a biodiversidade e a qualidade de vida da população. A mensagem do governo é que essas áreas pertencem à sociedade e precisam ser reconhecidas como territórios de vida, produção sustentável, memória e futuro. A participação da população é essencial para que os resultados sejam duradouros”, afirmou.


Com a atuação integrada entre governo, comunidades, instituições parceiras e organismos de cooperação, o Programa de Resiliência Socioambiental busca contribuir para que a APA Lago do Amapá seja cada vez mais reconhecida como espaço de conservação, de pertencimento, de geração de oportunidades e de proteção dos recursos naturais essenciais para Rio Branco.













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