Wesley: um drible do destino
O lateral-direito Wesley, titularíssimo da seleção brasileira, foi cortado nesse domingo da representação nacional, vítima de uma lesão sofrida no último amistoso antes da Copa do Mundo. Eu diria que o jogador levou um drible (ou seria “sarrafo”?) do destino. Uma trapaça da sorte!
Outros três caras que tinham tudo para brilhar com a camisa amarela no mundial nem foram convocados por terem se lesionado a serviço dos seus clubes umas semanas atrás: os atacantes Estêvão (do Chelsea) e Rodrygo (do Real Madrid) e o zagueiro Eder Militão (também do Real Madrid).
No caso do Wesley, o corte talvez tenha sido até pior do que a não convocação dos outros. Isso porque ele já estava na chamada final e faltavam poucos dias (uma semana, no caso) para a estreia na maior festa do futebol do planeta. Só quem já viveu uma situação dessas é que sabe como é difícil.
Participar da Copa do Mundo seria o ápice de uma carreira meteórica para o Wesley. Aos 22 anos (ele nasceu no dia 6 de setembro de 2003), foi apenas em 2021 que ele se tornou jogador profissional. Um caso raro de um jovem que saiu do interior do Maranhão para brilhar no planeta bola.
Jogador de força, habilidade e velocidade pelo lado do campo, com uma capacidade enorme tanto de defender quanto de atacar, nesse breve período ele vestiu somente a camisa de três clubes: o catarinense Atlético Tubarão (base), o carioca Flamengo (base e profissional) e a italiana Roma.
Pela seleção do Brasil bastou um ano (março de 2025 em diante) para ele ganhar a confiança dos torcedores brasileiros. Até esse fatídico jogo de sábado, ele entrou no gramado em oito oportunidades em defesa da seleção, conquistando cinco vitórias, empatando uma vez e perdendo duas partidas.
Por ser muito jovem, certamente outras copas virão no futuro. Provavelmente até, continuando a exibir o mesmo desempenho dos últimos meses, tão logo fique curado da lesão ele volte a ser convocado. Não que isso possa servir de consolo. Afinal, ninguém gosta de sair de uma festa assim.
Ressalte-se que o caso do Wesley não é o primeiro. Enquanto escrevo, lembro de dois jogadores que viveram esse drama, faltando poucos dias para a bola rolar numa Copa: o volante Emerson, em 2002, e o zagueiro Edmilson, em 2006. O primeiro machucou o ombro, o segundo contundiu o joelho.
E se a gente der um mergulho mais fundo na história vai encontrar muitos outros casos. Até Pelé, o maior de todos, sofreu decepções parecidas. Não poucos dias antes da Copa, mas pouco depois de o torneio começar. Foi assim em 1962 e em 1966. Pelé deu a volta por cima. Wesley também dará!



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