• Rio Branco, 29/05/2026
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Memórias das Copas – 4º capítulo

namarcadacal.com.br
Memórias das Copas – 4º capítulo

Restando exatas duas semanas para a Copa do Mundo de 2026, a série “Memórias das Copas”, lançada pela coluna Na Marca da Cal, chega ao seu 4º capítulo trazendo histórias resumidas das edições de 1954 e 1958.


A Copa de 1954: O Milagre de Berna e a tecnologia nos pés


Em sua quinta edição, o torneio teve a Suíça como país-sede e reuniu 16 seleções, sendo 11 delas europeias (Suíça, Hungria, Áustria, Inglaterra, Alemanha Ocidental, Iugoslávia, França, Itália, Tchecoslováquia, Bélgica e Escócia), 3 americanas (México, Brasil e Uruguai) e 2 asiáticas (Turquia e Coreia do Sul). Vale lembrar que o torneio era comemorativo em alusão ao cinquentenário de fundação da FIFA.


Pelo Grupo 1, do Brasil, ocorreu um episódio bastante curioso. Brasil e Iugoslávia venceram seus primeiros compromissos (Brasil 5 x 0 México e Iugoslávia 1 x 0 França), e o empate entre ambos (1 a 1) garantiu as duas equipes na segunda fase. Apesar da classificação, alguns atletas brasileiros chegaram a chorar no ônibus, por puro nervosismo, antes de saberem que de fato estavam nas quartas de final.



A Hungria, pelo Grupo 2, aplicou duas goleadas históricas na primeira fase: uma sobre a fraca Coreia do Sul por 9 a 0 e outra sobre nada mais, nada menos do que a Alemanha Ocidental, por 8 a 3 — embora os alemães tenham poupado seus titulares naquela partida.


Fase final e a “Batalha de Berna”


 


O Brasil foi a vítima dos húngaros nas quartas de final. Houve uma verdadeira batalha campal em Berna, e a Hungria venceu por 4 a 2. Em outro confronto, Áustria e Suíça fizeram o jogo com o maior número de gols da história dos mundiais: Áustria 7 x 5 Suíça. Nas demais partidas, a Alemanha Ocidental superou a Iugoslávia por 2 a 0, e o Uruguai derrotou a Inglaterra por 4 a 2.


Virada histórica dos alemães para cima dos húngaros 


A Copa do Mundo FIFA de 1954 teve como finalistas a Alemanha Ocidental e a favoritíssima Hungria, que havia vencido o Uruguai na semifinal. Os húngaros vinham invictos e, ao final do campeonato, marcaram 27 gols em 5 jogos — uma incrível média de 5,4 gols por partida.


Pressionado de perto, Puskás finaliza a jogada.

A final ocorreu no dia 4 de julho de 1954, às 17h, no Estádio Wankdorf, sob forte chuva e diante de um público de aproximadamente 60 mil pessoas. A partida, apitada pelo inglês William Ling, começou com a Hungria (que defendia uma invencibilidade de 32 jogos) abrindo 2 a 0 no placar. No entanto, a Alemanha buscou uma virada histórica e venceu por 3 a 2, ficando com o título.


A Alemanha tirou uma invencibilidade de 32 jogos sem derrotas da Hungria

Os melhores do torneio


Apesar do vice-campeonato, o craque húngaro Ferenc Puskás — que mais tarde se tornaria um dos maiores ídolos da história do Real Madrid — foi eleito o melhor jogador do torneio. Seu companheiro de ataque, Sándor Kocsis, terminou a competição como artilheiro isolado, com 11 gols.


Curiosidades


Diz a lenda que o capitão da equipe alemã, Fritz Walter, jogava seu melhor futebol na chuva. Isso porque ele havia contraído malária na juventude e, por essa razão, não rendia tão bem no calor. Além disso, a Adidas, fornecedora de material esportivo da seleção alemã, disponibilizou para a final chuteiras com cravos intercambiáveis (rosqueáveis), que se adaptaram perfeitamente ao campo molhado e lamacento.


Outras notas



  • Pioneirismo na TV: A partida de estreia da Copa, entre Iugoslávia e França (1 a 0 para os iugoslavos), foi a primeira na história a ter transmissão direta pela televisão.

  • Nasce o Canarinho: Em 1954, o Brasil usou pela primeira vez a combinação de camisas amarelas e calções azuis, uniforme que seria imortalizado anos mais tarde. O icônico apelido “Seleção Canarinho” foi criado pelo radialista Geraldo José de Almeida.


Brasil encanta e conquista o primeiro Mundial da FIFA – 1958



A Copa do Mundo FIFA de 1958 ocorreu de 10 a 29 de junho. O evento foi sediado na Suécia e contou com 16 seleções, sendo 12 delas europeias (Suécia, Alemanha Ocidental, Áustria, França, Tchecoslováquia, Hungria, Iugoslávia, União Soviética, Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales) e 4 americanas (Brasil, Argentina, Paraguai e México).


Nas eliminatórias, os norte-irlandeses conseguiram a façanha de eliminar a Itália, bicampeã em 1934 e 1938, enquanto o Paraguai despachou o Uruguai com um sonoro 5 a 0. Espanhóis e holandeses também ficaram de fora daquela edição.


A Alemanha Ocidental vinha para a Copa com uma base muito semelhante àquela campeã em 1954. Já a Hungria, que havia brilhado no mundial passado, perdeu grande parte de seus craques devido à Revolução Húngara de 1956. A União Soviética era cotada como uma das favoritas por ter vencido as Olimpíadas de 1956. Por outro lado, a Inglaterra, que tinha uma equipe fortíssima, sofreu um abalo irreparável com o desastre aéreo de Munique, que vitimou oito jogadores do Manchester United.


Transmissão televisiva e cobertura jornalística



Após o sucesso dos testes em 1954, o torneio de 1958 foi amplamente televisionado para os países europeus. Isso só foi possível graças ao lançamento do satélite Sputnik III pelos soviéticos, ocorrido em maio de 1958. No total, 11 países do continente aderiram ao consórcio liderado pela Sveriges Radio, a estatal de rádio e TV sueca que detinha os direitos de transmissão. Para dar conta do tamanho do Mundial, cerca de 2.000 jornalistas se credenciaram para cobrir o evento, sendo 200 deles apenas alemães.


Com show de Mané, Pelé e Vavá, Brasil avançou invicto às quartas


Garrincha se livra da marcação do zagueiro russo na vitória brasileira por 2 a 0.


  • 1ª fase: O Brasil caiu no Grupo 4, ao lado de Inglaterra, Áustria e URSS. A Seleção estreou bem, vencendo a Áustria por 3 a 0. Após o empate em 0 a 0 contra a Inglaterra, surgiram rumores de que os jogadores teriam se reunido com o treinador Vicente Feola para exigir a entrada de Mané Garrincha e Pelé no time titular — fato que mais tarde foi desmentido pelos envolvidos. No jogo seguinte, já com os dois em campo, o Brasil venceu a URSS por 2 a 0, com dois gols de Vavá e uma atuação assombrosa de Garrincha contra a marcação soviética. A URSS ficou com a outra vaga do grupo ao vencer a Inglaterra por 1 a 0 no jogo de desempate.

  • Nas quartas de final: O Brasil enfrentou a retranca do País de Gales. Nesta partida, a estrela de Pelé brilhou intensamente: ele aplicou um drible curtíssimo em seu marcador (um lençol/chapéu) e girou batendo de primeira para marcar o único gol do jogo. Nos outros confrontos, a França goleou a Irlanda do Norte por 4 a 0, com grande atuação de Just Fontaine, que marcou duas vezes. Helmut Rahn garantiu a vitória da Alemanha Ocidental sobre a Iugoslávia por 1 a 0, e os donos da casa, os suecos, bateram os soviéticos por 2 a 0.


Semifinais: Brasil supera a França por 5 a 2


Na briga por uma vaga na grande final, a Suécia continuou sua escalada ao derrotar a Alemanha Ocidental por 3 a 1 em um jogo conturbado, onde os megafones do estádio eram usados para inflamar o coro da torcida local. O capitão alemão Fritz Walter sofreu uma grave contusão após uma falta dura e precisou deixar o gramado. Como as substituições só foram permitidas pela FIFA a partir da Copa de 1970, o time alemão jogou o resto da partida com atletas a menos.


Na outra semifinal, houve um duelo de gigantes: a melhor defesa (Brasil) contra o melhor ataque (França). O Brasil deu um show em campo, com Pelé, Garrincha, Vavá e Didi em tarde inspirada: placar final de 5 a 2 para os brasileiros.


Orlando rasga o lance e a meia. Jogava muito. FOTO: L’ÉQUIPE

De azul e branco, Brasil faz 5 a 2 na Suécia e conquista a Copa de 1958


A grande final foi disputada no Estádio Råsunda, entre Brasil e Suécia, diante de um público de 50 mil pessoas. Como ambos os times tinham o uniforme principal na cor amarela, o Brasil perdeu o sorteio e precisou jogar com camisas azuis. “Nós vamos vencer, vamos jogar com a cor do manto de Nossa Senhora Aparecida”, tranquilizou o chefe da delegação brasileira, Paulo Machado de Carvalho, para afastar o nervosismo dos atletas.


Na final de 1958, o Brasil faz 5 a 2 na Suécia e o atacante Garrincha “acalenta” o menino Pelé, após gol brasileiro

Nem mesmo o gol sueco, que inaugurou o placar logo aos quatro minutos de jogo, abalou a equipe. Didi, apelidado de “Príncipe Etíope”, buscou a bola no fundo da rede e cruzou o campo calmamente com ela debaixo do braço, transmitindo enorme serenidade ao time.


O resultado da calma foi imediato: Vavá empatou aos nove minutos e o Brasil virou o jogo ainda no primeiro tempo. Em uma partida excepcional, o Brasil venceu por 5 a 2. Mesmo derrotada em casa, a torcida anfitriã aplaudiu de pé os campeões do mundo: Pelé, Vavá, Garrincha, Zito, Mazzola, Nilton Santos, Didi, Gilmar, Zagallo, entre outros. O Brasil sagrava-se, pela primeira vez, campeão mundial de futebol.


O capitão Bellini, o técnico Vicente Feola, e o goleiro Gilmar com a Taça Jules Rimet

Recordes de Pelé aos 17 anos


Na final de 1958, Brasil 5 X 2 Suécia, Garrincha ajuda Pelé. Foto/CBF

Pelé se tornou o jogador mais jovem a marcar um gol na história da Copa do Mundo ao balançar as redes contra o País de Gales, com apenas 17 anos e 239 dias. Ele também se consolidou, naquela tarde na Suécia, como o mais jovem campeão mundial de todos os tempos.


O recorde imbatível do 3º lugar


A França arrasou a Alemanha na disputa pelo terceiro lugar em um histórico 6 a 3, com impressionantes quatro gols de Just Fontaine. O craque francês terminou o torneio com 13 gols e, até hoje, detém o recorde de maior número de gols marcados em uma única edição de Copa do Mundo.


 




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