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Acre reduz desmatamento em 43,6% em 2025 e registra uma das maiores quedas do país, aponta MapBiomas

agencia.ac.gov.br
Acre reduz desmatamento em 43,6% em 2025 e registra uma das maiores quedas do país, aponta MapBiomas

O Acre está entre os estados brasileiros com maior redução proporcional da área desmatada em 2025, segundo dados do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), divulgado nesta quarta-feira, 27, pelo MapBiomas. O levantamento aponta que o estado reduziu em 43,6% a área desmatada em relação a 2024, superando as metas estabelecidas pelo Plano de Prevenção, Controle de Desmatamento e de Queimadas do Acre (PPCDQ), estipulado para 2027, que previa uma redução anual de 10% nas taxas de desmatamento.


De acordo com o relatório, o Acre registrou 21.255 hectares desmatados em 2025, frente aos 37.703 hectares contabilizados no ano anterior. Os dados também revelam redução expressiva no número de alertas de desmatamento: foram 4.894 registros em 2025, queda de 35,4% em comparação aos 7.575 eventos registrados em 2024.


Acre reduz desmatamento em 43,6% em 2025 e registra uma das maiores quedas do país, aponta MapBiomas. Foto: Uêslei Araújo/Sema

O relatório destaca ainda que, entre os estados da Amazônia Legal, o Acre figura entre aqueles com os resultados mais significativos na redução do desmatamento no período analisado. Em âmbito nacional, o Brasil registrou queda de 20,6% na área desmatada, ficando abaixo de 1 milhão de hectares pela primeira vez desde o início da série histórica do MapBiomas Alerta, em 2019. Ao todo, o país somou 984.794 hectares desmatados em 2025, contra 1.240.933 hectares no ano anterior.


Os dados do relatório também mostram uma mudança importante na trajetória histórica do desmatamento no estado. O estado passou a registrar reduções consecutivas a partir de 2023, alcançando em 2025 o menor índice da série histórica do sistema MapBiomas Alerta.


De acordo com o relatório, o Acre registrou 21.255 hectares desmatados em 2025, frente aos 37.703 hectares contabilizados no ano anterior. Foto: Uêslei Araújo/Sema

O relatório identifica também cinco municípios acreanos entre as áreas prioritárias para ações de prevenção, controle e redução do desmatamento definidas pelo governo federal: Feijó, Manoel Urbano, Rio Branco, Sena Madureira e Tarauacá.


Entre eles, Feijó aparece como o município acreano de maior atenção no cenário estadual. Em 2025, o município registrou perda de 4.478 hectares de floresta nativa, Apesar disso, o município também apresentou redução significativa de 51,7% em relação a 2024, quando havia registrado 9.268 hectares desmatados.


O secretário de Estado de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, ressaltou que os números refletem o esforço conjunto entre Estado, instituições parceiras e órgãos de fiscalização para o cumprimento das metas estabelecidas no PPCDQ.


Secretário de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, ressaltou que os números refletem o esforço conjunto entre Estado, instituições parceiras e órgãos de fiscalização para o cumprimento das metas estabelecidas no PPCDQ. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom

“Os dados mostram que conseguimos alcançar de forma antecipada, com dois anos de antecedência, metas que já estavam pactuadas no nosso Plano de Combate ao Desmatamento e às Queimadas. Isso demonstra que o Acre está no caminho certo para controlar efetivamente o desmatamento ilegal e, ao mesmo tempo, manter um ambiente favorável à produção e ao desenvolvimento econômico, conciliando crescimento com conservação das florestas e respeito à legislação ambiental”, destacou.


Transparência e fiscalização avançam no estado


O RAD 2025 também destaca avanços do Acre na ampliação da transparência ambiental e no acesso público às informações de fiscalização. Segundo o relatório, o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) passou a disponibilizar dados geoespaciais abertos sobre embargos ambientais, reunindo informações detalhadas sobre áreas fiscalizadas, processos administrativos e localização das infrações ambientais.


O órgão estadual disponibiliza um banco de dados completo dos embargos ambientais aplicados no estado, abrangendo o histórico entre 2023 e março de 2026. A medida permite maior rastreabilidade das ações de fiscalização, incluindo número do processo, identificação do imóvel, coordenadas exatas da infração e extensão da área afetada.


O presidente do Imac, André Hassem, ressaltou que o relatório do MapBiomas confirma um avanço importante para o Acre e mostra que o estado está no caminho certo.


Presidente do Imac, André Hassem, explica que o Imac tem atuado com firmeza no combate aos crimes ambientais, fortalecendo as ações de campo, o monitoramento por satélite e, principalmente, a transparência das informações ambientais. Foto: José Caminha/Secom

“A redução de 43,6% da área desmatada em 2025 é resultado de um trabalho sério de fiscalização, monitoramento e atuação integrada do governo do Estado, por meio do Imac e demais órgãos parceiros. O Imac tem atuado com firmeza no combate aos crimes ambientais, fortalecendo as ações de campo, o monitoramento por satélite e, principalmente, a transparência das informações ambientais. Nosso papel enquanto órgão fiscalizador é garantir que o desenvolvimento aconteça de forma sustentável, conciliando produção, proteção ambiental e respeito às futuras gerações”, afirmou.


Ações integradas fortalecem combate ao desmatamento no Acre 


A redução das taxas de desmatamento em 2025 é resultado de um conjunto de ações integradas coordenadas pelo Gabinete de Crise e pelo Grupo Operacional de Comando e Controle (GOCC), que reuniu órgãos estaduais, municipais e federais em atividades de monitoramento, fiscalização e repressão aos crimes ambientais.


Entre as principais iniciativas está a Operação Contenção Verde, que atuou de forma contínua nos municípios mais vulneráveis ao desmatamento.


Em 2025, o governo do Acre deu início à Operação Contenção Verde, uma força-tarefa voltada ao combate ao desmatamento e das queimadas ilegais. Foto: Uêslei Araújo/Sema

Coordenada pela Casa Civil, a operação envolveu equipes técnicas da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), da Polícia Militar do Acre (PMAC), por meio do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA), da Defesa Civil Estadual, da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC), do Grupamento Especial de Fronteira (Gefron), do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), do Programa REM Acre Fase 2, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).


Outra ação de sucesso foi a Operação Fogo Controlado, que contou com investimento de R$ 5,6 milhões e mobilizou uma força-tarefa interinstitucional durante o período de estiagem, atuando na prevenção e combate aos focos de incêndio.


Com o objetivo de ampliar os resultados alcançados e seguir avançando na redução do desmatamento em 2026, o governo do Acre deflagrou, em fevereiro, a Operação Amburana. A iniciativa integra o Sistema Integrado de Meio Ambiente e Mudança do Clima (SIMAMC) e é coordenada pela Sema, em parceria com o BPA, o Ciopaer e o Imac.


Com o objetivo de ampliar os resultados alcançados e seguir avançando na redução do desmatamento em 2026, o governo do Acre deflagrou, em fevereiro, a Operação Amburana. Foto: cedida

Na primeira fase da operação, as equipes fiscalizam 242 áreas em alerta de desmatamento distribuídas em cinco regionais estratégicas, com apoio terrestre e aéreo. Nos primeiros sete dias de operação, foram fiscalizados 94 alertas, com 684,665 hectares embargados, 24 metros cúbicos de madeira ilegal apreendidos e aproximadamente R$ 3,4 milhões em multas aplicadas.


Brigadas comunitárias fortalecem o combate às queimadas nas Unidades de Conservação


Com o objetivo de ampliar a capacidade de resposta do Estado durante o período crítico das queimadas, a Sema implementa, desde 2025, o Programa de Brigadas Comunitárias nas Unidades de Conservação (UCs) estaduais. A iniciativa prevê a seleção e capacitação de moradores locais para atuar na prevenção e no combate aos incêndios ambientais.


Desenvolvido em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC), responsável pelo apoio nos processos de formação e treinamento, o programa integra o planejamento estratégico do governo para o período de estiagem e já apresenta resultados positivos no fortalecimento das ações de monitoramento e resposta rápida em áreas florestais.


Em parceria com o Corpo de Bombeiros, os brigadistas comunitários atuam no enfrentamento de incêndios florestais nas áreas de conservação. Foto: Uêslei Araújo/Sema

Em 2025, a política contribuiu diretamente para a redução dos focos de incêndio no estado. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam uma redução de 75% nos focos de calor no Acre, em comparação ao ano de 2024. Nas unidades de conservação, a queda foi ainda mais expressiva, alcançando cerca de 97,7% entre janeiro e outubro do ano passado. O resultado é atribuído ao fortalecimento das ações de monitoramento, fiscalização e à presença contínua das brigadas em campo.


Para 2026, a estratégia conta com investimento aproximado de R$ 2 milhões do Programa REDD+ Early Movers (REM), além do apoio da Fundação Re:Wild e do projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil).


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