Moro volta a defender Lava Jato e propõe agência estadual anticorrupção
Em primeira fala pública após reunião de Flávio Bolsonaro com o PL, Sergio Moro criticou anulações da Lava Jato, falou em “retorno da impunidade” e defendeu criação de agência estadual anticorrupção.
Sergio Moro em sessão deliberativa no Senado Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado O senador e pré-candidato ao Governo do Paraná, Sergio Moro (PL-PR), voltou a defender publicamente os resultados da Operação Lava Jato e criticou as anulações de condenações relacionadas à investigação. A declaração ocorreu nesta quarta-feira (20) no púlpito do Senado, em sua primeira fala pública após a reunião do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com integrantes do PL.
Durante discurso, Moro afirmou que a Lava Jato representou uma evolução institucional no combate à corrupção no Brasil e disse que o país viveu, naquele período, um ambiente de maior segurança jurídica e previsibilidade econômica.
Segundo o senador, empresas nacionais e internacionais enxergavam no combate à corrupção um fator importante para o desenvolvimento econômico e para a estabilidade institucional do país.
“Na época da Lava Jato havia uma percepção de menos corrupção e mais segurança jurídica. Isso favorecia investimentos e o desenvolvimento econômico”, afirmou.
Moro também criticou a anulação de condenações de investigados e condenados pela operação. Sem citar diretamente decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), o senador afirmou que muitos processos foram revertidos por “formalidades” e “tecnicismos”.
“O que ocorreu foi uma reviravolta política. Muitas condenações foram anuladas não porque faltavam provas ou porque os acusados fossem inocentes, mas por questões processuais”, declarou.
Durante a fala, Moro mencionou o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, ao defender que havia “provas fartas” em diversos processos conduzidos pela força-tarefa.
“Ninguém duvida que o estado do Rio de Janeiro foi saqueado. As provas eram robustas, testemunhais e documentais”, disse.
O senador também associou o retorno de investigados à política ao que chamou de “tradição da impunidade”. Segundo ele, a corrupção e a impunidade caminham juntas e impactam diretamente a economia e a confiança institucional.
Ao comentar casos recentes envolvendo fraudes em benefícios previdenciários, Moro afirmou que episódios como o do INSS demonstram a necessidade de fortalecer mecanismos de controle e fiscalização.
Sem citar nominalmente a Compliance Zero, o senador paranaense afirmou que há falta de integridade quando se busca o interesse privado em relação ao público.
Como proposta, o senador defendeu a criação de uma agência estadual anticorrupção, com autonomia para cruzamento de contratos, análise de dados e investigação patrimonial de agentes públicos e políticos.
Segundo Moro, a estrutura teria capacidade para identificar fraudes, detectar enriquecimento ilícito e ampliar o monitoramento de contratos públicos.
“A ideia é criar uma moderna agência estadual anticorrupção, com capacidade técnica para cruzamento de dados, fiscalização de contratos e identificação de ilícitos patrimoniais”, afirmou.




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