Agricultura acreana avança com diversificação, inovação e valorização do produtor
Nos últimos anos, a agricultura do Acre passou por uma das mais significativas transformações de sua história. Impulsionado por políticas públicas estruturadas e executadas pela Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), o setor vive um ciclo de expansão, diversificação produtiva e fortalecimento de cadeias estratégicas.

Com foco no fortalecimento do campo, no incentivo à produção sustentável, na mecanização, na assistência técnica e na ampliação de mercados, o governo do Estado consolidou um novo modelo de desenvolvimento rural, com ampliação da geração de renda e da dinamização da economia em todas as regiões.
Entre 2019 e 2025, o Valor Bruto da Produção (VBP) agrícola acreana cresceu 101%, segundo dados monitorados pelo governo federal. O avanço reflete investimentos consistentes na agricultura familiar, no cooperativismo, na inclusão produtiva de comunidades indígenas e no fortalecimento de cadeias emergentes.
Culturas como café, soja e milho passaram a protagonizar esse novo momento, enquanto as atividades tradicionais, como o cultivo de cacau e a produção de mel, ganharam novo impulso com acesso à tecnologia, a insumos, à qualificação técnica e a mercados diferenciados.

O governador Gladson Camelí destacou o avanço estruturado do setor: “É gratificante ver o trabalho integrado da agricultura progredindo de forma expressiva. Sempre prezei pelo desenvolvimento pleno do povo acreano, e o trabalho realizado pela Seagri demonstra que, com políticas públicas bem aplicadas, é possível impulsionar o povo trabalhador a conquistar seu sucesso com as próprias mãos”.

A secretária de Agricultura, Temyllis Silva, reforçou o impacto social das ações: “O desenvolvimento econômico só é pleno quando melhora a qualidade de vida de quem está na ponta. Quando fortalecemos os produtores rurais, criamos oportunidades reais e ampliamos a geração de renda no campo”.

Soja e milho consolidam nova matriz produtiva
Um dos marcos do atual ciclo é a consolidação de culturas que passaram a receber incentivos estruturados a partir de 2019. A produção de soja saltou de R$ 2,6 milhões, em 2019, para R$ 112,5 milhões, em 2025, representando um crescimento superior a 4.096%. Já o milho avançou de R$ 95 milhões para R$ 191,9 milhões no mesmo período, com aumento de aumento de 102%.
Os números revelam mais do que expansão da área plantada. Indicam a organização das cadeias produtivas, a melhoria da produtividade, os investimentos em mecanização e o fortalecimento logístico, fatores que contribuem para diversificar a economia rural acreana e reduzir a dependência de poucas culturas.
Cafeicultura, a potência econômica do campo
A cafeicultura simboliza a transformação estrutural vivida no campo acreano. O VBP do café cresceu de R$ 13,6 milhões, em 2019, para R$ 167,6 milhões, em 2025, representando um avanço de 1.127,6%. Somente entre 2024 e 2025, a produção saltou de pouco mais de 3 mil toneladas para 6.632 toneladas, um crescimento de 115,4% em apenas um ano. A produtividade média alcançou 3.443 quilos por hectare, colocando o Acre acima da média nacional e consolidando o estado como o segundo maior produtor da Região Norte.

O desempenho é resultado direto de investimentos em correção e adubação do solo, em mecanização, em assistência técnica especializada, na capacitação de produtores e na distribuição de mudas. Nos últimos anos, foram entregues 1,2 milhão de mudas, além de toneladas de calcário, adubo e equipamentos como plantadeiras e secadores.

Outro marco foi a consolidação do Concurso de Qualidade do Café Robusta Amazônico do Acre (Qualicafé), que se tornou vitrine da produção local. Em 2025, o evento reuniu 48 produtores e fortaleceu a identidade do café acreano nos mercados nacional e internacional. Com apoio do Sebrae, produtores também participaram da Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte, ampliando oportunidades comerciais.
“Primeiramente quero agradecer a Deus por estar aqui participando e chegando até a final. É um orgulho muito grande pra gente receber esse prêmio. Eu sou filho de mineiro, comecei com o café lá em Rondônia, com o café de raiz, e agora estamos em Xapuri produzindo com muito trabalho e fé em Deus. É muito gratificante ver esse esforço ser reconhecido”, declarou o vencedor da última edição do Qualicafé, José Sebastião de Oliveira.

Um avanço simbólico foi a inclusão do café “Raízes da Floresta” na merenda escolar da rede pública estadual, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Pela primeira vez, o café produzido no Acre integra o cardápio escolar, o que fortalece a agricultura familiar e ampliando mercado para produtores locais.

Com planejamento estratégico para a próxima década, a meta é alcançar R$ 532 milhões anuais em VBP e retirar mais de 45 mil produtores da pobreza, consolidando o café como principal motor econômico do pequeno agricultor acreano.
Cacau, bioeconomia e sustentabilidade como estratégia
A cadeia do cacau também vive seu melhor momento. O VBP da cultura cresceu de R$ 20,5 milhões, em 2015, para R$ 139,6 milhões, em 2025, o que evidencia a consolidação da atividade como eixo estratégico da bioeconomia acreana.
A criação da Rota do Cacau inaugurou um novo ciclo, integrando produtores rurais, povos indígenas, extrativistas e ribeirinhos em uma política estruturada de manejo sustentável e de agregação de valor.

Em parceria com o Sebrae, estão previstos investimentos de R$ 2 milhões na produção de mudas, na implantação de viveiros e na capacitação técnica. Também foi criado o Grupo de Trabalho da Cadeia Produtiva do Cacau para planejar ações de longo prazo e fortalecer a governança do setor.
A estratégia prioriza sistemas agroflorestais, a recuperação de áreas degradadas e redução do passivo ambiental, o que fortalece a bioeconomia e amplia a inserção do produto em mercados diferenciados.

Mel, renda sustentável e floresta em pé
Dentro da bioeconomia, a cadeia do mel se consolidou como uma das mais dinâmicas. Em 2025, a produção alcançou 14 toneladas e beneficiou cerca de 400 produtores em 15 municípios.
Com investimentos superiores a R$ 2,5 milhões, realizados em parceria com o Programa REM-KfW e com recursos estaduais, foram distribuídas caixas de abelhas, equipamentos de proteção e insumos, além da oferta de capacitações técnicas.

Três Casas do Mel foram implantadas, além do início da construção da primeira agroindústria dedicada ao processamento de mel e derivados. Como resultado, os produtores beneficiados registraram crescimento médio de 62% na produção em apenas 12 meses.

Produção, sustentabilidade e desenvolvimento social
O conjunto dessas iniciativas demonstra um novo momento da agricultura acreana. O estado consolida um modelo que alia produção, sustentabilidade ambiental, inovação tecnológica e inclusão produtiva.
O fortalecimento das cadeias estratégicas, aliado à valorização da agricultura familiar e ao incentivo à qualidade, tem permitido que cada vez mais produtores ampliem sua produção e conquistem espaço nos mercados nacionais e internacionais.
Mais do que números expressivos, os avanços revelam a transformação estrutural do campo acreano, no qual a agricultura se firma como um dos principais pilares do desenvolvimento econômico e social do estado.
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