Acre supera meta de controle do desmatamento prevista para o ano florestal 2025 e reforça ações integradas de combate aos ilícitos ambientais
O Acre apresentou resultado positivo no controle do desmatamento no ano florestal de 2024–2025. Dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), indicam que a taxa registrada no período — de agosto de 2024 a julho de 2025 — superou em 43% a meta estabelecida para 2025 no Plano de Prevenção, Controle de Desmatamento e de Queimadas do Acre (PPCDQ). Os dados foram divulgados nesta semana.

A área desmatada prevista pelo plano era de aproximadamente 572 km², enquanto o resultado registrado foi de cerca de 320 km², o que representa a redução de 252 km² de área degradada em relação ao limite estabelecido. O resultado evidencia avanços consistentes nas políticas públicas de conservação ambiental e reflete a implementação das ações previstas no PPCDQ, instrumento estratégico que orienta metas contínuas e integradas para a redução do desmatamento e das queimadas no estado.
Para o secretário de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, a combinação entre monitoramento tecnológico, integração institucional e presença efetiva em campo tem sido determinante para os resultados alcançados.

“Estamos trabalhando com inteligência, dados em tempo real e integração entre as instituições. Essa atuação coordenada tem sido fundamental para reduzir o desmatamento, proteger nossos recursos naturais e, ao mesmo tempo, garantir que o Acre avance em um modelo de desenvolvimento sustentável, que gere oportunidades priorizando a preservação ambiental, destacou.
O resultado também evidencia o fortalecimento do Sistema Integrado de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (SIMAMC), que promove a atuação coordenada entre os órgãos estaduais e o uso estratégico de sistemas oficiais de monitoramento por satélite.

A reformulação da governança ambiental foi instituída pela Lei nº 4.749, de 29 de dezembro de 2025, que criou o SIMAMC. O novo modelo estabelece uma gestão integrada entre órgãos ambientais e forças de segurança, fortalecendo a coordenação institucional, otimizando o uso de recursos materiais e aprimorando a capacidade técnica na formulação e execução das políticas públicas ambientais no estado.
Operação Amburana: resposta integrada contra o desmatamento
Com o objetivo de ampliar os resultados alcançados e seguir avançando na redução do desmatamento em 2026, o governo do Acre deflagrou, no dia 23 de fevereiro, a Operação Amburana. A iniciativa integra o Sistema Integrado de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (SIMAMC) e é coordenada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), em parceria com o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac).
O nome da operação faz referência à Amburana acreana, espécie emblemática da Amazônia e símbolo da biodiversidade regional, atualmente classificada como vulnerável à extinção, reforçando o compromisso do Estado com a proteção das florestas e do patrimônio natural acreano.

A operação atua diretamente sobre alertas gerados por satélite, manifestações do Ministério Público (MP) e denúncias da população. Na primeira fase, as equipes fiscalizam 242 áreas em alerta de desmatamento distribuídas em cinco regionais estratégicas, com apoio terrestre e aéreo – sendo 64% das áreas localizadas em regiões de difícil acesso.
Foram mobilizados aproximadamente 30 agentes das forças ambientais e de segurança, duas aeronaves e dez veículos. As ações incidem sobre alertas de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (DETER) de novembro e dezembro de 2025 e de janeiro e fevereiro de 2026, além de denúncias e demandas do MP.

No Vale do Juruá, a atuação aérea priorizou os municípios de Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo e Mâncio Lima. Nas regionais Purus e Tarauacá-Envira, as equipes terrestres atuaram em Sena Madureira, Manoel Urbano e Feijó. Já no Alto e Baixo Acre, denúncias foram apuradas em Porto Acre, Bujari, Rio Branco e Capixaba.
Em apenas sete dias de operação, foram fiscalizados 94 alertas, com 684,665 hectares embargados, 24 metros cúbicos de madeira ilegal apreendidos e aproximadamente R$ 3,4 milhões em multas aplicadas.
Nesta primeira etapa, as ações ocorrem de forma integrada entre os órgãos diretamente envolvidos na fiscalização ambiental. Nas próximas etapas, a iniciativa poderá contar com a participação de outros órgãos, como o Corpo de Bombeiros Militar do Acre, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e a Polícia Civil, o que amplia a capacidade de atuação conjunta, preventiva e operacional no enfrentamento ao desmatamento ilegal.
O chefe do Departamento de Fiscalização Ambiental do Imac , Daniel Valle, destaca que a operação representa um esforço coletivo do governo para fortalecer o combate ao desmatamento no estado.

“Essa operação é construída de forma integrada, cada instituição contribui com sua expertise, seja no monitoramento, na logística, no apoio aéreo ou nas ações em campo, o que torna o trabalho mais eficiente e estratégico. Quando diferentes órgãos trabalham de forma articulada, conseguimos ampliar a presença do Estado nas áreas críticas e dar resposta rápida aos alertas de desmatamento”, explicou.
O major Marcelo Barreto destaca que o BPA atua como parceiro estratégico nas operações integradas do governo.

“A nossa atuação ocorre, principalmente, por meio da fiscalização terrestre e fluvial, participando de ações conjuntas como forma de resposta às denúncias feitas pela população e pelos órgãos de controle. Portanto, a Operação Amburana é a soma de um trabalho integrado que visa uma sociedade mais consciente e sustentável, pois todo o esforço é dedicado à população do Acre”.
O piloto do Ciopaer e chefe da Divisão de Operações Aéreas, o major Eduardo Ditomaso, destaca que Ciopaer tem atuado no apoio direto às equipes de fiscalização ambiental no combate aos ilícitos.

“Essa integração entre os órgãos é fundamental, porque muitas das áreas com alertas de desmatamento identificadas por satélite estão em locais de difícil acesso, onde não há estradas ou rios navegáveis. Nesses casos, o modo aéreo se torna o meio mais eficaz para que as equipes cheguem rapidamente aos pontos de fiscalização. Nossa missão é garantir o transporte seguro e ágil dos fiscais.”
A fiscalização inclui apreensão e inutilização de maquinário, aplicação de sanções e embargos ambientais, configurando-se como instrumento essencial para o cumprimento das metas do PPCDQ e para o avanço de iniciativas estratégicas como o programa REM e o projeto “Rumo ao Desmatamento Ilegal Zero no Acre”, financiado pelo Fundo Amazônia.

O coordenador do Grupo de Comando e Controle Ambiental, Quelyson Souza, reforçou que a fiscalização também é uma estratégia para manter o estado elegível a financiamentos climáticos.
“As ações de fiscalização são fundamentais para assegurar a continuidade da redução do desmatamento e manter o Acre apto à captação de recursos destinados ao desenvolvimento com proteção ambiental. Hoje, é muito difícil que um desmatamento não seja detectado pelos sensores remotos. Mesmo em áreas de difícil acesso, as infrações tornam-se visíveis à fiscalização”, destaca.
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Acre (CBMAC), coronel Charles Santos, destacou que a atuação integrada entre os órgãos ambientais e de segurança pública é fundamental para ampliar a eficiência das ações.

“Essa cooperação institucional permite que o Estado atue de forma planejada, preventiva e operacional, envolvendo ações de monitoramento, educação ambiental, fiscalização e resposta direta aos focos de incêndio, sobretudo durante o período crítico do verão amazônico”.
As ações contam ainda com o apoio do Fundo Amazônia – Fase II e o Programa REM que contribuem para o fortalecimento da estrutura operacional, da inteligência e da capacidade de resposta das equipes em campo.
Inteligência e monitoramento
Nos últimos anos, o Estado tem avançado na adoção de metodologias mais sofisticadas de cruzamento e análise de dados, integrando diferentes bases de informação para qualificar o planejamento das ações ambientais. Essa evolução permite a geração de diagnósticos mais precisos, o uso de inteligência analítica e a identificação antecipada de alvos estratégicos e pontos críticos, tornando a atuação do poder público mais eficiente.

As ações em campo decorrem de demandas identificadas por sistemas federais de alerta, como os programas DETER e o PRODES do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Esses sistemas fornecem dados qualitativos e quantitativos que orientam o planejamento da fiscalização.
Além disso, a execução das políticas ambientais ocorre sob acompanhamento do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da ADPF 743, que monitora a efetividade das ações de controle do desmatamento nos estados da Amazônia Legal.
Fiscalização com oportunidade de regularização
Paralelamente às ações de comando e controle, o Estado amplia as oportunidades de regularização ambiental por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de Regularização Ambiental (PRA). Após eventual autuação, produtores e possuidores podem regularizar sua situação mediante a adesão aos instrumentos legais disponibilizados pela Sema e pelo Imac, que agora oferecem atendimento integrado na sede do instituto.

Com ações permanentes ao longo de 2026, o Acre consolida uma política ambiental baseada em inteligência, integração institucional e responsabilidade pública. A proteção das florestas reafirma-se como um compromisso com as presentes e futuras gerações, fortalecendo um modelo de desenvolvimento aliado à conservação ambiental.
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